BCP reforça aposta na dívida nacional. Compra mil milhões em três meses

No final de março, o banco liderado por Nuno Amado tinha em carteira 4.696 milhões de euros aplicados em títulos de dívida soberana nacional. Aumentou a exposição em 29% desde o final de 2017.

O BCP começou o ano a reforçar a sua aposta na dívida pública portuguesa. O banco liderado por Nuno Amado “engordou” a exposição a títulos de de dívida soberana nacional em mais de mil milhões de euros no primeiro trimestre face ao anterior.

Os resultados do banco relativos ao primeiro trimestre, divulgados nesta segunda-feira, mostram que no final de março, o BCP detinha 4.696 milhões de euros em títulos de dívida soberana nacional. Este valor representa um aumento de 1.060 milhões e de 29%, quando comparado com os 3.696 milhões que tinha em carteira no final de dezembro.

Reforçar a aposta em dívida soberana portuguesa acontece num período de recuperação da confiança dos mercados em relação a Portugal, sobretudo depois de as agências de notação financeira também terem melhorado a sua avaliação do rating nacional.

“O bom desempenho macroeconómico, a reversão parcial do movimento de subida global das taxas de juro e a manutenção do teor extremamente acomodatício da política monetária do BCE contribuíram para manter as yields da dívida pública portuguesa e os respetivos diferenciais face às congéneres europeias de melhor risco perto dos mínimos observados no período pós-crise financeira mundial”, diz ainda o BCP nos seus resultados.

O aumento da aposta em dívida soberana nacional resultou do investimento em obrigações do Tesouro, enquanto pelo contrário o BCP reduziu a sua exposição a bilhetes do Tesouro (para 499 milhões). O banco fechou o primeiro trimestre do ano com 4.197 milhões de euros em obrigações do Tesouro. Ou seja, mais 38%, quando comparado com os 3.051 milhões que detinha no final de dezembro.

Mas não foi apenas na dívida pública portuguesa que o banco reforçou. Comprou também mais dívida da Polónia, com o total a ascender a 3.981 milhões, um aumento de 821 milhões de euros. Para além disso, tinha ainda investidos 600 milhões de euros em dívida moçambicana, enquanto nas restantes geografias se destacavam os 900 milhões detidos em dívida pública norte-americana.

O banco fechou, assim, o primeiro trimestre de 2018 com 10,3 mil milhões de euros aplicados em títulos dívida pública, o que corresponde a um aumento de 31% face ao final do ano. Desse total, menos de um terço (3,1 mil milhões de euros) dizia respeito a títulos com maturidade até um ano. Ou seja, a maioria é dívida de longo prazo.

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