Quanto ganham os gestores mais bem pagos da bolsa

As empresas do PSI-20 já divulgaram os salários dos seus gestores e trabalhadores em 2017. Um gestor ganha 22 vezes mais do que o seu trabalhador médio.

Quase 900 mil euros. Foi este o valor da remuneração anual média recebida no ano passado pelos presidentes executivos das empresas cotadas no PSI-20, o que representa um aumento de 9% em relação ao que tinham recebido em 2016. E é também um montante 22 vezes superior ao salário anual médio que foi pago aos restantes trabalhadores. Cada trabalhador destas empresas recebeu, em média, 39 mil euros no conjunto do ano passado, uma subida de 3,6% em relação a 2016. Apesar desta discrepância nos valores desembolsados para pagar a uns e a outros, as grandes empresas estão a empregar mais e, por isso, os custos totais com trabalhadores também estão a aumentar.

Os cálculos são feitos com base nos relatórios e contas já disponíveis das empresas do PSI-20, excluindo-se da análise aos salários pagos aos trabalhadores a Pharol, que, por ser apenas a gestora de uma participada, não tem quadro de trabalhadores.

Ao todo, os presidentes executivos das 18 empresas que compõem o principal índice acionistas nacional levaram para casa 15,27 milhões de euros no conjunto de 2017, mais 3% do que tinham recebido um ano antes. Entre eles, também há grandes discrepâncias nas remunerações recebidas, bem como nas variações salariais.

O salário de Nuno Amado, por exemplo, disparou mais de 63%, para 631 mil euros, depois de o BCP ter concluído o reembolso da ajuda estatal e, por isso, ter acabado com o travão à remuneração dos seus gestores. Já Pedro Soares dos Santos, da Jerónimo Martins, viu a remuneração engordar em 58%, para mais de dois milhões de euros. Mas é António Mexia quem continua a liderar o pódio dos mais bem pagos. O presidente da EDP auferiu um total de 2,22 milhões de euros no ano passado.

Feitas as contas, cada presidente executivo do PSI-20 recebeu uma remuneração anual média de 898.509 euros no ano passado, mais 9,35% do que tinha recebido em 2016.

Olhando para o quadro geral das empresas, os números são bem diferentes. As empresas analisadas empregavam um total de 258 mil trabalhadores a 31 de dezembro do ano passado, mais 20 mil do que empregavam no ano anterior. Ao todo, tiveram um custo superior a 5,5 mil milhões de euros com estes trabalhadores, o que representa um aumento de 12% face aos custos com pessoal que tinham assumido em 2016. Esse crescimento dos custos fica, contudo, a dever-se sobretudo ao aumento do número de trabalhadores, já que os salários médios registaram uma subida muito menos expressiva.

Os trabalhadores da REN foram os que receberam o salário anual médio mais elevado no ano passado, no valor de 83,4 mil euros, logo seguidos pelos trabalhadores da EDP Renováveis, que ganharam uma média de 82,7 mil euros. Mas estas duas empresas pagam muito acima do que é oferecido nas restantes. O terceiro salário médio mais elevado é o que é pago na EDP, no valor de 58,4 mil euros anuais. Já os trabalhadores da Jerónimo Martins, a maioria dos quais a desempenhar um trabalho pouco qualificado, continuam a ser os que ganham menos, com um salário anual médio de 12,5 mil euros.

Analisados os salários médios das cotadas, cada trabalhador do conjunto destas grandes empresas ganhou uma média de 39.349 euros no ano passado, o equivalente a um aumento de 3,66% em relação ao salário médio pago em 2016.

Considerados estes valores, significa isto também que, no ano passado, cada presidente executivo do PSI-20 ganhou, em média, 22 vezes mais do que os salários médios pagos aos seus trabalhadores.

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