Boris Johnson ataca Theresa May. Diz que plano comercial é “louco”

Proposta de parceria aduaneira com União Europeia é "inaceitável" para Boris Johnson. Ministro ataca assim frontalmente Theresa May, que prefere este modelo alfandegário.

Boris Johnson atacou frontalmente Theresa May. De visita a Washington, nos Estados Unidos, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico considerou “louca” uma das duas hipóteses de acordo alfandegário com o bloco europeu colocada em cima da mesa pelo Executivo conservador. A proposta criticada é a favorita da primeira-ministra britânica e assenta numa “parceria aduaneira” com o bloco.

“Se tivermos uma nova parceria aduaneira, teremos um sistema louco, no qual o Reino Unido pode recolher as tarifas em nome da União Europeia (UE), na sua própria fronteira”, salientou o chefe da diplomacia, citado pelo The Guardian. Boris Johnson sublinhou ainda que esse modelo limitaria a capacidade britânica de fazer novos acordos comerciais depois do divórcio. “Se a UE decidir impor tarifas punitivas a algo que o Reino Unido quer importar a baixo custo, não haverá nada que possa ser feito”, disse o governante.

A proposta conhecida como “modelo híbrido” prevê que o Reino Unido possa, na sua fronteira, recolher as tarifas aduaneiras impostas aos bens importados em nome do bloco europeu. Segundo a BBC News, se esses bens não saírem do país em causa e se as tarifas britânicas forem inferiores às europeias, as empresas poderão depois reclamar o reembolso da diferença.

Os defensores da saída do Reino Unido da União Europeia têm notado que esse é um modelo “que ainda não foi testado”, que é “não é prático” e que não concretiza integralmente a saída prevista do mercado do bloco. “Isto [a parceria aduaneira] não é retomar o controlo da política comercial, não é retomar o controlo das nossas leis, não é retomar o controlo das nossas fronteiras e não é realmente recuperar o nosso dinheiro, porque as tarifas seriam enviadas a Bruxelas”, reforçou Boris Johnson. O membro do Governo de May adianta que este sistema forçaria o Reino Unido a alinhar-se regulatoriamente com a Europa.

Apesar da marcada oposição, fontes próximas do ministro garantem que não está em causa a sua demissão, caso seja esta a proposta adotada pelo Reino Unido.

Em cima da mesa, está também um acordo comercial altamente simplificado. De acordo com esta proposta, as empresas passarão as pagar as tarifas alfandegárias ocasionalmente (isto é, de tantos em tantos meses) ao invés de o fazerem de cada vez que cruzam a fronteira.

O Reino Unido sai da União Europeia a 29 de março do próximo ano.

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