Marcelo sobre caso Manuel Vicente: Se processo for para Angola “desaparece o irritante”

  • Marta Santos Silva
  • 10 Maio 2018

O Presidente da República assumiu que a transferência de Manuel Vicente para Angola retiraria a tensão entre os dois países, que estavam "vocacionados a encontrarem-se".

Marcelo Rebelo de Sousa disse ter sido surpreendido com a informação de que o caso de Manuel Vicente seria transferido para Angola, e disse aos jornalistas: “Se for assim, se quem tem poder de decidir decide isso, isso significa que há uma transferência, e havendo, desaparece o irritante”. A expressão “irritante” é do ministro dos Negócios Estrangeiros, que qualificou assim, citando o primeiro-ministro, o fator de tensão entre Angola e Portugal.

Fonte do Tribunal da Relação confirmou ao ECO, após o Público avançar a notícia, que o processo autónomo da Operação Fizz, que se relaciona com o ex-vice presidente de Angola, Manuel Vicente, será transferido para as autoridades angolanas.

Para o Presidente da República, em declarações transmitidas pela RTP, a transferência faz desaparecer “o pequeno ponto, menor, que existia a ser invocado periodicamente entre Portugal e Angola”. Questionado sobre se as relações entre os dois países poderiam melhorar, Marcelo respondeu: “Já na próxima semana há uma cimeira militar entre os dois países, portanto eu sempre achei que os países estavam vocacionados a encontrarem-se”.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se ao caso de Manuel Vicente como “o irritante”, utilizando uma expressão que já foi usada por António Costa e por Augusto Santos Silva. Santos Silva esclarecera mesmo à Lusa que a expressão lhe parecera feliz: “Não ignoro que há aqui – como o primeiro-ministro disse, numa expressão que me pareceu feliz – um irritante. Há uma agravante que é: a solução desse irritante não está nas mãos, nem do presidente da República, nem da Assembleia da República, nem do Governo. Não está nas mãos do poder político, mas com paciência, com sentido de Estado, com a responsabilidade de todos, superaremos esse irritante e convém não exagerá-lo”.

Na próxima semana, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, vai visitar Angola no âmbito da cooperação técnico-militar entre Portugal e os países da CPLP, podendo mesmo encontrar-se com o seu homólogo no país.

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