Comissões engordam lucros. Qual foi o banco que mais subiu?

  • Rita Atalaia
  • 11 Maio 2018

Os maiores bancos arrecadaram 446,2 milhões de euros em comissões no início do ano. Foi a CGD que mais aumentou, mas não foi a que mais ganhou. Esse lugar é ocupado pelo BCP.

Os bancos multiplicaram os lucros. Ganharam quase 500 milhões em apenas três meses. Um resultado que não se deve ao aumento da concessão de crédito, que continua em queda, num cenário em que os depósitos estão estáveis. Deve-se, sim, à recuperação das margens, mas muito também ao forte crescimento das comissões cobradas. Houve, nestes três meses, aumentos expressivos, levando as receitas com estas comissões a quase igualar os resultados líquidos.

Os maiores bancos a operar no mercado nacional cobraram 446,2 milhões de euros em comissões nos primeiros três meses do ano. Houve um aumento de mais de 30 milhões de euros face ao período homólogo, levando a que a cada dia útil que passou em 2018 as instituições financeiras tivessem cobrado cerca de sete milhões de euros, de acordo com os cálculos do ECO.

CGD foi quem mais aumentou as comissões

Fonte: Resultados dos bancos | Valores em euros

O aumento das comissões foi em média de cerca de 10%. Mas houve casos em que disparou muito mais, como na Caixa Geral de Depósitos (CGD). O banco estatal revelou um crescimento de 13,8% nas comissões cobradas durante o primeiro trimestre. Apesar de ter sido o banco que mais subiu as comissões, não foi o que ganhou mais. Esse lugar é ocupado pelo BCP. Apesar de ter sido o que menos subiu (um aumento de 4,5%), ganhou 167,8 milhões de euros, ou seja, 2,6 milhões por dia.

"Não iremos aumentar de novo as comissões.”

Paulo Macedo

Presidente da Caixa Geral de Depósitos

“O que observamos é que há um crescimento de 9% [nas comissões globais do banco], sendo de 14% na atividade em Portugal”, afirmou José Brito, administrador do banco público, durante a apresentação dos resultados para o primeiro trimestre. Nestas contas, a CGD não faz diferenciação entre a evolução das comissões cobradas aos particulares e as restantes.

Esta subida reflete as “medidas do Plano Estratégico implementadas em 2017 e a concretização dum novo acordo de bancassurance”, refere o banco. Recorde-se que a CGD e a Fidelidade assinaram no início deste ano um acordo que levou o banco estatal a vender mais seguros da seguradora e, com isto, a ganhar mais em comissões.

CGD aumentou comissões em quase 14%

Fonte: Resultados da CGD

Mas a explicar este crescimento estarão também as comissões cobradas aos particulares que têm vindo a aumentar. O banco estatal tem revisto sucessivas vezes o seu preçário, atualizando valores de comissões de manutenção, mas principalmente acabando com isenções associadas às contas à ordem.

A subida mais polémica aconteceu em setembro, quando a instituição decidiu começar a cobrar a milhares de reformados, que até então não pagavam nada, uma comissão mensal pela conta no banco estatalexceto os que recebem uma pensão abaixo de 835 euros. Apesar destas subidas, Paulo Macedo deixou uma garantia nos resultados trimestrais: “Não iremos aumentar de novo as comissões”, salientando que as da CGD continuam a ser as mais baixas do mercado.

Enquanto a CGD aumentou quase 14%, foi o BCP que mais ganhou com as comissões. De acordo com o banco liderado por Nuno Amado, as “comissões líquidas aumentaram 4,4% face aos 160,8 milhões de euros alcançados no primeiro trimestre de 2017, cifrando-se em 167,8 milhões de euros nos primeiros três meses de 2018”. E o crescimento não deve ficar aqui, ao contrário da CGD. Foi durante a apresentação dos resultados anuais que o presidente executivo afirmou que “é possível que haja algum aumento das comissões em 2018”.

BCP foi o que menos aumentou, mas o que mais ganhou com comissões

Fonte: Resultados do BCP

Em oposição, o BPI foi dos que menos ganhou com comissões. Isto apesar de estar em segundo lugar dos maiores aumentos nos primeiros três meses do ano entre os maiores bancos. A instituição liderada por Pablo Forero revelou uma “subida de 11,9% em termos homólogos das receitas de comissões líquidas, fruto de uma maior atividade comercial do BPI em todos os segmentos de negócio, face ao período homólogo”. Contudo, ganhou “apenas” 69 milhões de euros.

Esta subida de quase 12% acontece depois de o BPI ter passado para as mãos do CaixaBank. O banco agora controlado por capitais catalães avançou com uma série de aumentos de comissões, sobretudo relacionadas com cartões de crédito e débito, bem como com cheques. Em alguns casos, o agravamento chegou mesmo a superar os 300%.

BPI é o que ganha menos

Fonte: Resultados do BPI

Já o Santander Totta surge a meio da tabela. Ganhou 93,9 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, o equivalente a um aumento de 10,2% durante esse período. Isto num cenário em que a margem financeira alcançou 231,2 milhões de euros — ou seja cresceu 34,6% face ao período homólogo.

Para este crescimento terá já contribuído o novo preçário do banco para 2018. No arranque deste ano, o banco liderado por Vieira Monteiro aumentou a comissão de gestão das várias contas, levando os clientes a pagarem mais um euro por mês. Só nesta comissão registou-se um agravamento de mais de 20%.

Vieira Monteiro afirmou que as comissões do Banco Santander Totta estavam num nível “razoável”. Neste contexto, o presidente da instituição financeira disse que não devem avançar com mais alterações neste âmbito. Mas relembrou que é o mercado que vai determinar se o banco volta a mexer nas comissões.

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