Bancos multiplicam resultados. Ganham 500 milhões em três meses

  • Rita Atalaia
  • 11 Maio 2018

Enquanto uns aumentaram os lucros, outros bancos saíram mesmo do vermelho. As imparidades caíram, as margens subiram e os rácios estão cada vez mais fortes.

A banca portuguesa continua numa trajetória de recuperação. BPI, Santander Totta, BCP e Caixa Geral de Depósitos conseguiram multiplicar os lucros nos primeiros três meses do ano. Isto em comparação com o mesmo período do ano passado. As maiores instituições financeiras — e excluindo o Novo Banco, que ainda não apresentou as contas — colhem assim os frutos dos esforços para regressarem à rentabilidade, beneficiando da quebra das imparidades, mas também do aumento das margens.

No “bolo” de 494 milhões de euros, o BPI é o responsável pela maior “fatia”. Sozinho, lucrou 210 milhões de euros. Isto depois de ter sido também o banco liderado por Pablo Forero o principal “culpado” pelos lucros de apenas 55,6 milhões registados no setor nos primeiros três meses de 2017 — o BPI e o banco estatal foram as únicas entidades a apresentarem prejuízos nesse período.

Bancos regressam todos ao lucro

Fonte: Resultados dos bancos

“Este foi um bom trimestre para o BPI”, afirmou o presidente do banco controlado pelo CaixaBank na apresentação dos resultados para o primeiro trimestre. Para este valor muito contribuiu a atividade em Portugal, que alcançou lucros de 118 milhões de euros. Um desempenho que Forero explicou que se fica a “dever à forte atividade comercial e reflete a atividade económica em Portugal”, mas ao qual não é indiferente o ganho de 60 milhões com a reavaliação da participação da Viacer, que está em processo de venda ao Grupo Violas.

Em segundo lugar neste top dos lucros surge o Santander Totta, com um resultado positivo de 130,5 milhões de euros — já com a integração total do Banco Popular Portugal, seguida do BCP, que ganhou 85,6 milhões de euros. “Temos um banco rentável, com um produto bancário que cresceu 11%”, afirmou o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, durante a apresentação das contas trimestrais em que apresentou um crescimento da margem financeira de quase 25%.

O crescimento da margem não é alheio ao forte aumento do crédito a clientes, sendo que neste caso essa variação resulta exclusivamente da compra do Popular em Portugal. Em todos os outros bancos, o crédito continua a cair, num contexto em que os recursos de clientes se mantêm estáveis. As comissões estão a ser o “motor” das contas dos bancos.

A CGD foi a “mais pequena” em termos de lucros, mas quando comparado com o mesmo período do ano passado, é das instituições financeiras que mais recuperou: deixou para trás prejuízos de 39 milhões de euros. E graças ao contributo positivo da atividade em Portugal, o que não há acontecia há vários anos. Foi também em Portugal que as comissões mais cresceram, diz o banco. Se em termos consolidados houve um aumento de 9,4% face ao trimestre homólogo, na CGD Portugal o crescimento destes proveitos foi de 13,8%.

Há cada vez menos imparidades

O problema do crédito malparado continua a preocupar os bancos. Contudo, graças a todos os esforços para reduzir este “fardo”, os ativos tóxicos pesam agora menos na rentabilidade das instituições financeiras. O total das imparidades reconhecidas nas contas dos primeiros três meses deste ano passou de 243 milhões para 91,7 milhões de euros, segundo cálculos do ECO com base nas contas dos bancos.

No caso do BPI e do Santander Totta, houve mesmo uma reversão das imparidades. Ou seja, os bancos, depois de terem reconhecido imparidades significativas nas suas contas, acabaram por conseguir recuperar mais do que o previsto destes créditos em incumprimento. Isto traduziu-se num impacto positivo nos resultados.

No BCP, apesar de o montante para provisões ainda ser elevado, também caiu para 106 milhões de 148 milhões de euros. Já a CGD registou menos 95 milhões em imparidades — assumiu uma perda de 13 milhões de euros.

Reforçar rácios de capital? Missão cumprida

Neste primeiro teste do ano aos resultados dos bancos, os rácios de capital têm nota positiva. Estão cada vez mais fortes. São estes os rácios que as autoridades analisam para aferir a robustez de uma instituição num cenário de adversidade económica. Quanto mais baixo estiver o rácio, mais desprotegido está o banco.

O Santander Totta continua a ser o “melhor aluno” neste reforço da posição de capital. Tem um rácio de capital CET1, totalmente implementado, de 15,1%. Mas foi a CGD que apresentou a melhoria mais significativa: passou de 12% para 13,6%. Isto é explicado pelos grandes esforços de “limpeza” do balanço do banco. Apesar de menos pronunciada, a recuperação também está à vista tanto no BCP como no BPI, cujos rácios situam-se agora nos 11,8% e 11,4%.

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