TAP pode crescer 10% a 15% ao ano, mas com limites

  • Lusa
  • 31 Maio 2018

“O que estamos a fazer é utilizar aeronaves maiores. [Substituindo] as 330-200 pelas 330-900, [bem como], as 319 velhas por 321", afirmou empresário David Neeleman.

O empresário David Neeleman, que juntamente com Humberto Pedrosa integra consórcio Atlantic Gateway, acionista privado da TAP, defendeu esta quinta-feira, em Lisboa, que a companhia pode crescer entre 10 a 15% ao ano, ressalvando que existem limites associados a essa expansão.

“O que estamos a fazer é utilizar aeronaves maiores. [Substituindo] as 330-200 pelas 330-900, [bem como], as 319 velhas por 321. A única coisa que podemos fazer é criar aeronaves maiores e com isso crescer 10 a 15% ao ano, mas vamos chegar a um limite”.

Para David Neelman o crescimento da empresa não depende apenas do aumento da capacidade das aeronaves, mas da criação de novas infraestruturas aeroportuárias.

As previsões do responsável surgem depois de o seu parceiro no consórcio Atlantic Gateway Humberto Pedrosa ter comentado à Lusa esperar que o Grupo TAP possa multiplicar, pelo menos, por sete vezes, os resultados – uma meta definida pelo presidente executivo, Antonoaldo Neves – em três ou quatro anos.

“Num horizonte de três, quatro anos temos de atingir esses resultados. São resultados que, normalmente, as boas companhias já têm. E a TAP agora com a frota nova que vai entrar, com as rotas novas que tem – apesar da dificuldade no seu crescimento por causa do aeroporto –, vai tentando. Mas, na realidade, no horizonte de três a quatro anos temos que estar a atingir o que o Antonoaldo [Neves] propôs atingir”, disse Humberto Pedrosa, em 14 de maio, em resposta à Lusa.

Na mensagem enviada aos trabalhadores da TAP em abril, Antonoaldo Neves destacou também que o lucro de 21,2 milhões de euros em 2017 alcançado pela TAP SGPS foi “o melhor resultado dos últimos dez anos”, num contexto de “prejuízos acumulados ao longo de muitos anos”, e traduz a “transição para um novo ciclo” de criação de valor na empresa.

Os lucros da TAP SGPS no ano passado contrastam com um prejuízo de 27,7 milhões registado em 2016.

O consórcio Atlantic Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, detém 45% do Grupo TAP (TAP SGPS), o Estado através da Parpública detém 50% e os restantes 5% estão nas mãos dos trabalhadores.

O ciclo de conferências Gen Summit – Editors Network prossegue até sexta-feira no Pátio da Galé, em Lisboa.

Acordo com os pilotos “é bom”

David Neeleman falou ainda do acordo que a transportadora alcançou com os pilotos para a atualização salarial, defendendo que o objetivo é “não ter voos cancelados”. “O acordo é bom. Temos muitas reuniões em conjunto e sabemos que vida de piloto não é fácil. Eles têm algumas coisas que necessitam e nós não queremos ter voos cancelados”, disse David Neelman, que falava aos jornalistas, em Lisboa, à margem do Glen Summit – Editors Network.

O responsável defendeu que “agora está tudo bem”, classificando os pilotos como “ótimos parceiros”. “A pior coisa para o cliente são os cancelamentos. Acreditamos que com o acordo foi tudo resolvido. Sabemos que tudo o que está a ser feito é importante para Portugal, mas sem a ajuda do aeroporto não vamos conseguir”, sublinhou.

"A pior coisa para o cliente são os cancelamentos. ”

David Neelman

TAP

Para resolver alguns dos constrangimentos do aeroporto Humberto Delgado, David Saleeman sugeriu a criação de “saídas rápidas”.

“O ano passado gastámos 12 milhões de euros [em combustível], enquanto andávamos às voltas no céu, [à espera] para poder aterrar. Agora com os combustíveis mais caros fica ainda mais difícil. […] Podiamos já ter feito aquilo que chamamos ‘saídas rápidas’, que todos os aeroportos já têm e que permitem, da mesma forma, operar com segurança”, concluiu.

Os valores de atualização salarial acordados entre a transportadora e a direção do SPAC – Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil são, de acordo com a proposta de atualização salarial a que a Lusa teve acesso, de 5,0% em 2018, 5,0% em 2019, 3,0% em 2020, 1,0% em 2021, 1,0% em 2022, num total de 15,0%.

Este aumento não contempla ainda a correção do Índice de Preços no Consumidor (IPC) no período, de 1,4% em 2018, e de 2,0% nos quatro anos seguintes, num total de 9,4%, referindo-se que “os valores da inflação para o período de 2019 a 2022 são estimados” e que “será aplicável o valor real, independentemente do seu valor, desde que positivo”. Na prática, este ano os salários dos pilotos da companhia aérea vão ter já um acréscimo de 6,4%.

A proposta contempla ainda uma compensação aos pilotos por atraso na progressão técnica dos pilotos da TAP.

O acordo celebrado prevê também uma compensação que será aplicada “até ser respeitado o limite de 8% das ‘block hours’ [unidade de medida usada na aviação] voadas no ano civil anterior pela TAP”, contratada a empresas pertencentes ao grupo, equivalente a “um vencimento base” em cada ano de incumprimento, pago em duodécimos, que oscila entre 283,33 euros por mês – para vencimentos brutos de 3.400 euros – até 520,83 euros – para vencimentos de 6.250 euros.

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