Catarina Martins defende veto de Portugal se orçamento da UE não for melhorado

  • Lusa
  • 3 Junho 2018

“O Governo português tem a possibilidade, e deve utilizá-la, de não aceitar este orçamento”, diz Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu este doingo, em Santarém, que Portugal deve vetar o orçamento comunitário no Conselho Europeu se as propostas feitas pela Comissão não forem alteradas.

Catarina Martins falava durante uma visita à 55.ª Feira Nacional da Agricultura/65.ª Feira do Ribatejo, que decorre até dia 10 no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, como o olival e o azeite como temas dominantes.

A líder bloquista afirmou que o seu partido “analisa com muita preocupação” as propostas do orçamento para o próximo quadro comunitário de apoio, não só pelos cortes na Política Agrícola Comum (PAC) como pelos previstos nos fundos de coesão, que “penalizam particularmente Portugal”.

“Portugal deve fazer uma reflexão global sobre o que significa a PAC e os fundos de coesão e o que é proposto para o nosso país”, disse, frisando que “o Governo português tem a possibilidade, e deve utilizá-la, de não aceitar este orçamento”.

“Ou este orçamento é melhorado, ou faz algum sentido, ou, se não for, o Governo português pode vetá-lo em Conselho Europeu como qualquer outro Governo. Portugal não é mais nem menos que qualquer outro país, mas o que não podemos aceitar é que sejam constantemente feitas regras da União Europeia que beneficiam os grandes países e que prejudicam países como Portugal”, declarou.

Ou este orçamento é melhorado, ou faz algum sentido, ou, se não for, o Governo português pode vetá-lo em Conselho Europeu como qualquer outro Governo. Portugal não é mais nem menos que qualquer outro país.

Catarina Martins

Líder do Bloco de Esquerda

Catarina Martins afirmou que, não só Portugal está a ser penalizado por ter criado emprego, como “não é aceitável” que os fundos que são retirados na PAC e nos fundos de coesão sejam “enviados para a indústria de armamento francesa, italiana e espanhola”.

“Podemos negociar ou fazer de conta que estamos a negociar. Se o Governo português não adotar uma posição de força na verdade não estamos a ver nenhuma vontade dos outros países de alterarem” as propostas que estão em cima da mesa, declarou.

Catarina Martins afirmou que a chanceler alemã, Angela Merkel, disse em Portugal “que compreendia tudo muito bem, mas que não havia forma de alterar o orçamento que está decidido”, o que se compreende por este ser o país “que mais ganha com o euro” e para quem a alteração dos fundos “corresponde à sua estratégia de militarização da Europa”.

Frisando que os cortes propostos penalizam mais os pequenos produtores e o interior do país, Catarina Martins pediu “uma posição forte”. “A forma que o Governo português tem para o fazer é, a par de uma negociação dura para o próximo orçamento, dizer que está disponível para vetar o orçamento se for necessário. Dizer que estamos a falar a sério”, acrescentou.

Para a líder bloquista, “não se pode aceitar uma União Europeia que retira cada vez mais capacidade de decisão de escolha de investimento a países como Portugal, ao mesmo tempo que concentra mais os meios e toda a capacidade de decisão na Alemanha, na França, nos países de sempre”.

Catarina Martins foi a segunda líder partidária a visitar hoje a Feira Nacional da Agricultura, que recebeu de manhã uma delegação do PCP liderada pelo secretário-geral, Jerónimo de Sousa, estando ainda agendada a deslocação da presidente do CDS/PP, Assunção Cristas, que ocupou a pasta da Agricultura durante o Governo de coligação com o PSD.

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