Rio “nada surpreendido” com novo máximo histórico da dívida pública

  • Lusa
  • 2 Julho 2018

A dívida pública portuguesa atingiu um novo máximo histórico em maio. Rui Rio diz-se "nada surpreendido" com a notícia e defende que tal se continuará a repetir enquanto houver "défice no Orçamento".

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou-se, esta segunda-feira, “nada surpreendido” com o novo máximo histórico da dívida pública portuguesa em maio, sustentando que tal continuará a repetir-se “enquanto Portugal tiver um défice no Orçamento” do Estado.

“Não fico nada surpreendido, ficava surpreendido é se ela baixasse”, afirmou Rio, explicando que “a dívida pública portuguesa, particularmente a dívida pública líquida, atingirá sempre máximos históricos enquanto Portugal tiver um défice no orçamento, que é a soma do crescimento da dívida”.

Sustentando que “enquanto o Orçamento do Estado [OE] português não estiver equilibrado a dívida não para” e que “enquanto [o OE] não tiver ‘superavit’ ela não desce”, o líder do PSD considerou que “aquilo que pode descer é a relação entre a dívida e o produto, que tem melhorado um pouco”.

“Agora o crescimento da dívida, aquilo que o Estado verdadeiramente deve, vai crescer sempre enquanto em Portugal houver um défice orçamental. E desde o 25 de abril até hoje nós tivemos todos os anos, sem exceção, um défice orçamental”, acrescentou.

Já relativamente à descida da taxa de desemprego em maio, Rui Rio considerou “positivo” que Portugal esteja hoje “num patamar de desemprego muito melhor do que no passado”, mas ressalvou que “o emprego criado é com salários muito baixos” e que “a própria produtividade da economia tem caído”.

“Os empregos criados não são de grande valor acrescentado, têm sido empregos de baixos salários, que é aquilo que nós deveríamos evitar. Mas pior do que isso é o desemprego, não quero exagerar. Ainda assim é melhor haver emprego do que não haver, mesmo com a produtividade a cair”, disse.

O Banco de Portugal (BdP) divulgou, esta segunda-feira, que a dívida pública na ótica de Maastricht, calculada de acordo com a definição utilizada no Procedimento dos Défices Excessivos, atingiu em maio um novo máximo em termos brutos, de 250,3 mil milhões de euros.

Face aos empréstimos de abril, a dívida reflete um aumento de 0,3 mil milhões, incluindo os passivos nos instrumentos de numerário e depósitos, títulos de dívida e empréstimos, revelou o BdP no seu Boletim Estatístico.

Também hoje o Eurostat informou que a taxa de desemprego homóloga recuou em maio para os 8,4% na zona euro e para os 7,0% a União Europeia (UE), com Portugal a registar a quarta maior quebra entre os Estados-membros, para 7,3%.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Rio “nada surpreendido” com novo máximo histórico da dívida pública

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião