Empresários portugueses não acreditam numa melhoria da atividade das suas empresas nem do país

  • ECO
  • 17 Julho 2018

Os empresários têm muitas reservas em relação ao sistema fiscal, que consideram injusto, de acordo com o barómetro Economia e Empresas, da Confederação dos Serviços de Portugal.

Os empresários em Portugal não perspetivam uma melhoria da atividade económica da sua empresa, nem do país, mostram os dados do barómetro “Economia e Empresas”, da Confederação dos Serviços de Portugal (CSP), divulgados esta terça-feira.

Esta é a primeira edição deste barómetro, que tem como tema a fiscalidade e o investimento empresarial, e que conta com uma amostra de 300 empresas portuguesas. Dos empresários entrevistados, 54% considera que a atividade das empresas “vai manter-se” nos próximos 12 meses, e perto de um terço considera que “vai melhorar”.

Já em relação à atividade económica do país, mais de metade pensa que não vai melhorar, cerca de 52% dos inquiridos. Uma questão considerada essencial pela Confederação são as condições de investimento, que mais de um terço dos empresários avalia como pior em Portugal do que na União Europeia.

Na avaliação das entidades, os municípios e a Justiça são as áreas que reúnem mais opiniões negativas no inquérito. Só 11,3% dos empresários considera o desempenho dos tribunais positivo, e 35% considera a ação dos municípios negativa.

A corrupção em Portugal é um tema que vai estar presente nos barómetros, segundo a CSP. A esmagadora maioria dos empresários pensa que vai continuar a acontecer, e 37% acredita que piorará.

Estas áreas fazem parte dos indicadores fixos, que se vão manter nos próximos barómetros, e consistem na avaliação dos empresários da situação da sua empresa e do estado do país. Os indicadores variáveis relacionam-se com os temas estruturais para auscultar os empresários.

Para esta edição é a fiscalidade, com 75% dos inquiridos a considerar o sistema fiscal parcialmente ou muito injusto. Para o presidente da CSP, Jorge Jordão, “o país ganharia com uma boa reforma fiscal”, que é “decisiva para a atração de investimento, do qual estamos altamente carenciados”.

Quanto às prioridades para entendimento político, os empresários são da opinião de que os partidos deveriam entender-se sobre a reforma fiscal, nomeadamente as taxas de IVA e de IRC, e ainda na reforma da Segurança Social.

Metade dos empresários considera muito relevante a diminuição da carga fiscal, e a melhoria da justiça e equidade do sistema fiscal, medidas que estimulam a competitividade. Outra das ações desejadas é a diminuição da complexidade do sistema.

Para Jorge Jordão, é “necessário o sistema providenciar previsibilidade e estabilidade”, e para isso dever-se-ia “reformar a legislação laboral, que é das mais rígidas da Europa, e com custos pesadíssimos de contexto”.

A CSP quer que o barómetro seja “uma ponte entre o tecido empresarial e a opinião pública”, e para isso fizeram 303 entrevistas a empresas portuguesas. Tem um nível de confiança de 95,5%, e uma margem de erro de mais ou menos 5,74%. A periodicidade não está definida, será consoante os temas pertinentes.

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