Morreu João Semedo, antigo líder do Bloco de Esquerda

  • ECO
  • 17 Julho 2018

Em 2015, Semedo foi operado a um cancro nas cordas vocais. Foi a doença que o impediu de ser candidato à Câmara do Porto nas últimas autárquicas.

João Semedo na conferência de imprensa em que renunciou à sua candidatura à Câmara do Porto, devido a problemas de saúde.ESTELA SILVA/LUSA

Morreu João Semedo, antigo líder do Bloco de Esquerda, aos 67 anos. A notícia foi avançada pelo Expresso e confirmada pelo partido numa nota de pesar. “Faleceu esta terça-feira, 17 de julho, o dirigente bloquista João Semedo, ao fim de alguns anos de batalha contra o cancro”, pode ler-se no Esquerda.net.

Segundo a TSF, o médico e antigo coordenador do partido morreu por volta das 7h00. Em 2015, Semedo foi operado a um cancro nas cordas vocais. Foi a doença que o impediu de ser candidato à Câmara do Porto nas últimas autárquicas.

“Filho de um engenheiro militante comunista e de uma professora, João Semedo cresceu num ambiente familiar em que se discutia abertamente o estado do país e o descontentamento face ao regime de Salazar e Caetano“, escreve o Bloco de Esquerda. “Os últimos anos da ditadura viram o início da atividade política de João Semedo, iniciada no liceu com a tragédia das cheias de 1967 e a mobilização estudantil no apoio às vítimas, que viviam na miséria às portas de Lisboa.”

"Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Segui sempre a minha intuição, nunca me senti a fazer o que não queria. Sim, fui muito feliz, sou e acho que continuarei a ser.”

João Semedo

O percurso político de João Semedo iniciou-se no Partido Comunista Português, enquanto estudava medicina. Dedicou a sua vida profissional ao estudo da toxicodependência, tendo liderado o processo de remodelação do Hospital Joaquim Urbano, especializado no tratamento de doenças respiratórias e infecciosas. Foi diretor do mesmo hospital.

A aproximação ao Bloco de Esquerda começou com o convite de Miguel Portas, em 2004, para integrar as listas do partido para o Parlamento Europeu como independente. Em 2007, junta-se ao partido, tendo sido deputado durante três legislaturas.

Em 2015, depois de diagnosticado o cancro nas cordas vocais e a consequente operação, o bloquista assumiu como luta pessoal a despenalização da eutanásia. Após a votação que chumbou a proposta, Semedo afirmou que a sua aprovação “é uma questão de tempo: não foi agora, será na próxima legislatura”.

Numa das suas últimas entrevistas, dada ao Observador em 2017, afirmou que a proximidade a muitas situações dramáticas que viveu durante o internamento no Instituto Português de Oncologia só veio reforçar as suas convicções a favor da despenalização da morte assistida. Mas não mudou a sua forma de encarar a morte: “Mudou mais a forma de encarar a vida, sobretudo, como nos agarramos a ela, voltar a vivê-la sem limitações, fazer o que fazíamos, não desperdiçar nada, ganhar gosto até por algumas coisas que nos contrariavam, relativizar de outra forma problemas e preocupações”.

“Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Segui sempre a minha intuição, nunca me senti a fazer o que não queria. Sim, fui muito feliz, sou e acho que continuarei a ser”, concluiu João Semedo.

(Notícia atualizada às 9h04 com mais informação)

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