Maria de Belém é plano B de Tomás Correia para a Associação Mutualista Montepio

Ex-ministra da Saúde é nome em cima da mesa caso o atual presidente não possa apresentar candidatura à Associação Mutualista Montepio, que vai passar para a supervisão do regulador dos seguros.

Maria de Belém foi candidata às presidenciais em 2016.Miguel A. Lopes/Lusa

Maria de Belém poderá vir a assumir protagonismo nas próximas eleições para a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). Há dentro da instituição quem admita que a ex-ministra da Saúde está bem posicionada para ser alternativa a Tomás Correia caso o atual presidente da instituição não possa ele próprio formalizar uma candidatura para liderar a maior mutualista do país por causa das novas regras do Código das Associações Mutualistas (CAM).

Com eleições agendadas para dezembro, a associação mutualista vive momentos de alguma expectativa quanto às implicações do novo código das mutualistas nas pretensões do atual presidente para tentar um quarto mandato à frente da instituição. Em outubro terão de ser formalizadas e entregues as listas para os vários órgãos da instituição. E até à realização das eleições a AMMG poderá passar para a supervisão da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundo de Pensões (ASF) — depois da entrada em vigor do novo código das mutualidades já promulgado pelo Presidente da República –, o que trará novidades importantes na corrida eleitoral da mutualista que conta com mais de 620 mil associados.

Isto porque do novo regime de supervisão financeira aplicado às grandes mutualistas resultará que os candidatos aos órgãos sociais das instituições terão de ser aprovados regulador liderado por José Almaça. Nos seus critérios de apreciação de idoneidade para o exercício de funções em empresa de seguros ou de resseguros, a ASF deve ter em consideração “a acusação, a pronúncia ou a condenação, em Portugal ou no estrangeiro, por crimes contra o património, crimes de falsificação e falsidade, crimes contra a realização da justiça, crimes cometidos no exercício de funções públicas, crimes fiscais, crimes especificamente relacionados com o exercício de uma atividade financeira e com utilização de meios de pagamento e, ainda, crimes previstos no Código das Sociedades Comerciais”, entre outros pontos.

Por causa disso, Tomás Correia poderá ter o seu caminho dificultado para se recandidatar a um novo mandato, quando sobre si correm inquéritos no Banco de Portugal e no Ministério Público. O supervisor bancário já acusou Tomás Correia de falta de incumprimento das regras prudenciais e de análise de crédito e constituição de provisão — uma decisão sobre esta ação poderá surgir bem antes das eleições de dezembro, havendo margem para recurso — e tem outro inquérito aberto por eventual falsificação de documentos. Já Ministério Público investiga Tomás Correia por suspeita de poder ter recebido comissões indevidas de um cliente quando era presidente da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

Dentro deste quadro de incerteza surge o nome de Maria de Belém como eventual plano B, um cenário que é admitido no seio de quem apoia Tomás Correia, disse uma fonte do lado da oposição ao ECO. Outra fonte confirmou esta possibilidade e até comentou que a antiga ministra foi presença notada na última Assembleia Geral da instituição, da passada terça-feira, que serviu para os associados aprovarem por larga maioria das contas de 2017.

Questionada pelo ECO sobre se tinha sido convidada para integrar a lista de Tomás Correia, a antiga ministra da Saúde disse apenas: “Sou associada do Montepio há muitos anos e já fui convidada várias vezes. Não tenho de prestar declarações sobre isso. Estou focada é no trabalho sobre a Lei de Bases da Saúde“.

Atualmente, Maria de Belém lidera a Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, cujo projeto esteve em consulta pública até à passada quinta-feira. A versão final deverá ser entregue ao Governo em setembro.

"Sou associada do Montepio há muitos anos e já fui convidada várias vezes. Não tenho de prestar declarações sobre isso. Estou focada é no trabalho sobre a Lei de Bases da Saúde.”

Maria de Belém

Antiga ministra da Saúde

Por outro lado, o nome de Maria de Belém foi referenciado pelo próprio Tomás Correia, quando em abril passado juntou diretores regionais do banco para lançar a sua candidatura, noticiou o Público na altura (acesso pago). Mais tarde, o mesmo jornal veio a dar conta de que a candidatura do atual presidente poderia estar em risco por causa do novo código das mutualistas e que, nesse cenário, Luís Almeida (que fez parte da comissão executiva da CEMG liderada por Félix Morgado) poderia ser o nome de confiança para avançar com uma candidatura.

Importantes para perceber quais as implicações que as novas regras poderão ter na corrida à liderança da Associação Mutualista serão os timings que decorrem do processo de aplicação do novo regime de supervisão financeira às grandes mutualistas.

A partir da entrada em vigor do CAM, Governo e regulador terão até 120 dias (quatro meses) para definir as mutualistas que vão passar a estar sob supervisão da ASF – além da AMMG, o regulador vai também supervisionar financeiramente a Montepio Nacional da Farmácia (Monaf), disse o ministro Vieira da Silva. Mas esse período poderá ser encurtado, havendo a possibilidade de a AMMG passar para esfera de supervisão do regulador dos seguros antes das eleições, mudando as regras do jogo.

Para já, é conhecida publicamente a candidatura de Fernando Ribeiro Mendes, que é administrador (dissidente) do atual conselho de administração liderado por Tomás Correia. Ainda não há data formal para a apresentação da sua lista. E também ainda não se sabe se Ribeiro Mendes vai protagonizar a única lista alternativa à provável recandidatura de Tomás Correia, que ainda não anunciada.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Maria de Belém é plano B de Tomás Correia para a Associação Mutualista Montepio

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião