Portugal ousou desafiar as regras e valeu a pena, garante o The New York Times

  • Rita Frade
  • 23 Julho 2018

Em entrevista ao The New York Times, a propósito da situação económica que o país atravessou, o primeiro-ministro defende que "demasiada austeridade aumenta a recessão e cria um ciclo vicioso".

A austeridade nem sempre é o caminho a seguir para dar resposta à crise económica e financeira de um país. Esta foi uma das principais conclusões a que o The New York Times chegou.

Numa reportagem, publicada este domingo, o jornal recorda a época de crise que Portugal atravessou, desde o aumento do desemprego ao corte nos salários, até ao momento em que António Costa tomou posse como primeiro-ministro e decidiu pôr de lado as medidas de austeridade, que tinham sido impostas pelos credores internacionais.

Em entrevista ao The New York Times, António Costa disse que “o que aconteceu em Portugal mostra que demasiada austeridade aumenta a recessão e cria um ciclo vicioso“. Em vez disso, explicou, “criámos um plano alternativo à austeridade, focando-nos num maior crescimento e em mais e melhores empregos“, acrescentou o primeiro-ministro.

Liz Alderman, autora da reportagem, diz que o país “assumiu uma posição ousada“, “desencadeando um ciclo virtuoso que colocou a economia de volta no caminho do crescimento“, dando o caso de Portugal como exemplo de sucesso, ao contrário da Grécia e da Irlanda que optaram por seguir as regras.

Aliás, segundo o próprio jornal, “as autoridades europeias admitem agora que Portugal pode ter encontrado uma resposta melhor à crise“.

Bosch, Google e Mercedes-Benz são alguns dos exemplos, dados pelo The New York Times, de melhoria da situação económica de Portugal, já que, apesar de tudo, decidiram instalar os seus escritórios e centros de pesquisa digital no país.

Há, contudo, “muito a fazer”, diz António Costa. “Não passámos do lado escuro para o lado luminoso da lua“. “Quando começámos este processo, muitas pessoas disseram que aquilo que queríamos atingir era impossível. Mostrámos que há alternativa“, admitiu, ainda o primeiro-ministro.

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