Lira já afunda 17% com tweet de Trump. EUA duplicam tarifas e Erdogan pede aos turcos para comprarem moeda

A moeda turca entrou numa espiral descendente para novos mínimos de sempre. Já esteve a desvalorizar mais de 20%, depois de os EUA terem anunciado a duplicação das tarifas do alumínio e aço turco.

A tensão impera no mercado cambial, com a lira a entrar em espiral descendente depois de Donald Trump ter anunciado a duplicação das tarifas do alumínio e aço turco. A moeda turca afunda 17%, depois de já ter estado a recuar acima de 20%, para um novo mínimo de sempre. O euro também está entre os maiores perdedores. A moeda única da Zona Euro regista perdas acentuadas, atingindo mínimos de mais de um ano face ao dólar.

A derrocada da divida da Turquia surge depois de o Presidente Erdogan ter apelado aos cidadãos para trocarem as suas divisas estrangeiras, e quando os mercados aguardam medidas fortes para apoiar a moeda nacional. Num discurso em Bayburt (nordeste) e transmitido pela televisão, Erdogan exortou os turcos a trocarem as suas divisas estrangeiras para apoiar a enfraquecida lira turca, afirmando tratar-se de uma “luta nacional” contra uma “guerra económica” que disse ter sido declarada contra a Turquia.

Dólar reforça 17% face à libra

Fonte: Reuters

A lira agravou assim as perdas de 10% que marcaram o início da sessão, para novos mínimos de sempre, depois de um encontro entre uma delegação turca e representantes dos EUA não ter conduzido a uma aparente solução para a crise diplomática que envolve a detenção na Turquia de um pastor norte-americano. A moeda turca segue a desvalorizar perto de 17% contra o dólar, depois de já ter estado a afundar mais de 20%.

Em paralelo, numa mensagem na rede social Twitter, o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou ter autorizado a “duplicação” das tarifas alfandegárias sobre o alumínio e aço turcos, aumentando a pressão sobre Ancara e a sua fragilizada economia.

“A sua moeda, a lira turca, desce rapidamente contra o nosso dólar forte”, justificou Trump na sua mensagem, para acrescentar que as importações de alumínio e aço provenientes da Turquia vão passar a ser taxadas a respetivamente 20% e 50%.

Nos mercados acionistas, a instabilidade turca também se faz sentir. Em Espanha, o IBEX-35 cai perto de 2%. O índice de referência europeu, o Stoxx 600, perde mais de 1%. E o italiano FTSE-Mib recua e mais de 3%. O setor da banca é o mais penalizado: BNP Paribas, Unicredit e BBVA cedem mais de 4% na sessão. Em Lisboa, o PSI-20 cai meio ponto percentual para 5.614,78 pontos.

“Temos um número de bancos espanhóis que têm uma grande exposição em bancos a operar na Turquia. Se a Turquia enfrenta turbulência política e económica — e está a enfrentar — podemos ver um aumento do malparado lá”, disse David Madden, analista da CMC Markets, citado pela Reuters.

A espiral descendente da moeda turca não será ainda alheia aos receios dos investidores relativamente à trajetória autoritária da Turquia sob os comandos do presidente Tayyip Erdogan, bem como ao rumo económico do país. O mercado aguarda que o ministro das Finanças anuncie esta sexta-feira, um plano económico para a Turquia.

Também o rublo recua, penalizado ainda pelas sanções impostas pelos EUA à Rússia. Na passada quarta-feira, os EUA anunciaram que vão punir o Governo liderado por Vladimir Putin pelo ataque ao ex-agente russo Sergei Skripal e à sua filha com gás de nervos que ocorreu a 4 de março no Reino Unido através de novas sanções já no final de agosto.

(Notícia atualizada às 15h18)

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