Quantas filiais de empresas estrangeiras têm operações em Portugal?

As filiais estrangeiras exibiram melhor desempenho em quase todos os principais rácios económicos quando comparadas com as restantes empresas, revela o INE.

Atrair investimento direto estrangeiro é uma das maiores ambições de todas as economias. Ajuda a criar empregos, produzir riqueza, dar saltos tecnológicos, criar novas competências… As vantagens são múltiplas. Portugal não é exceção e não são poucas as vezes que Portugal disputa, taco a taco com outras geografias, a localização de uma determinada fábrica ou empresa.

Muito recentemente, o país perdeu a corrida para a fábrica da Tesla, mas em compensação ganhou outras: como a Google, que decidiu implementar em Portugal uma unidade de formação e desenvolvimento do Android, Daimler e Uber já aceleraram até Lisboa e segue-se a Zalando, a plataforma de moda online líder na Europa, que vai abrir em Lisboa o terceiro centro tecnológico internacional. Euronext, Vestas e Fujitsu também escolheram o norte do país.

Mas quem já está no país quer continuar a estar e até tem vindo a reforçar os investimentos já realizados. É o caso da Bosch, da Volkswagen, da Mercedes-Benz ou da Microsoft. Mas a lista poderia ser muito maior: Siemens, Continental Mabor, Embraer, Coindu, Enercon, Gabor, Grohe e Preh.

No fim de contas estamos a falar de quantas empresas? Números atualizados não existem. Os mais recentes remontam a 2016. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em Portugal existiam nesse ano 6.360 filiais de empresas estrangeiras a operar em Portugal. Na sua maioria sedeadas no continente europeu (80%), representaram 25,6% do volume de negócios gerado pelas empresas do setor não financeiro e empregaram 420 mil pessoas, o que representou um crescimento de 2,9% face ano anterior.

O INE, nas suas estatísticas da globalização, publicadas a 23 de outubro de 2017, sublinha que “as filiais estrangeiras exibiram melhor desempenho em quase todos os principais rácios económicos quando comparadas com as restantes sociedades no ano de 2016“. Por outro lado, entre as filiais estrangeiras, “as detidas por países da União Europeia tiveram melhores indicadores económicos que as extra-UE”. Só a título de exemplo, as filiais de empresa estrangeiras registarem uma produtividade 1,8 vezes superior à das empresas nacionais. Este é o indicador onde a disparidade é maior. Já ao nível da autonomia financeira e de liquidez, as filiais estrangeiras apresentam um crescimento mais elevado que nas sociedades nacionais, mas ainda inferiores em valor absoluto. As empresas nacionais apresentam o melhor desempenho ao nível da rendibilidade das vendas, quer em valores absolutos, quer em termos de taxa de crescimento.

Em 2016, as filiais estrangeiras registaram crescimentos na ordem dos 3% no volume de negócios, que comparam com 1,8% nas sociedades nacionais, e de 5,5% no VAB (5,3% nas nacionais). As estatísticas permitem também perceber que as empresas estrangeiras pagaram mais aos seus funcionários (+3,3% face a 2015), o que corresponde a 7,8 mil milhões de euros. Ou seja, em média, os funcionários destas empresas receberam 1.326 euros por mês (durante 14 meses), enquanto nas sociedades nacionais esse valor desce para 879 euros por mês.

O país que tem o maior número de filiais em Portugal é Espanha com 24% do total, seguindo de França, Estados Unidos e Alemanha. Mas ao nível do Valor Acrescentado Bruto (VAB) o topo do pódio é ocupado por França, seguido de Espanha, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. Apenas três países (França, Espanha e Alemanha) concentraram 54,5% do total do VAB gerado por filiais de empresas estrangeiras. “Acentuou-se a importância destes países, que em 2010 já detinham 49,6% do VAB gerado”, sublinha o INE.

Ao contrário do que se possa pensar, a maior parte das empresas de capital estrangeiro presentes em Portugal não têm um perfil exportador. Das 6.360, só 1.598 eram exportadoras. Por outro lado, a larga maioria são pequenas e médias empresas: 5.984.

“Os setores da Agricultura e Pescas, Indústria e Energias e dos Transportes e Armazenagem registaram uma evolução positiva de 2015 para 2016. Apesar do ligeiro decréscimo, o setor da Informação e Comunicação continuou a registar o maior VAB gerado por filiais estrangeiras, sendo também o setor onde quer as filiais intra-UE quer as filiais extra-UE apresentaram um maior peso no VAB (44,0% e 8,1%, respetivamente)”, acrescenta ainda o INE.

É preciso recuar a 2011 para ter um ano com mais filiais de empresas estrangeiras em Portugal e, tendo em conta os novos investimentos já anunciados em Portugal, as estatísticas podem revelar um novo crescimento em 2017 e 2018, nem que seja à boleia das empresas imobiliárias.

Só em 2011 havia mais filiais estrangeiras em Portugal

Fonte: INE

De acordo com o último Inquérito de Atratividade da EY, em 2017 Portugal atraiu 68 novos projetos de investimento estrangeiro. Os investidores que mais capital colocaram no país foram os norte-americanos, que mostraram interesse em 17 projetos, seguindo-se os franceses (13), os britânicos (10) e os espanhóis (10). No total, e constituindo um novo recorde, foram 95 os projetos que receberam a confiança — e o dinheiro — dos investidores estrangeiros, um crescimento de 61% face à análise anterior. Estes investimentos criaram um valor recorde de postos de trabalho — quase oito mil.

 

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