Que quantidade de eletricidade produzem os portugueses em casa?

Nos últimos anos, produzir energia em casa para autoconsumo ou para vender à rede elétrica nacional passou de sonho a realidade para muitos portugueses. A potência instalada cresceu quase de 400%.

Na última década, a produção de energia para consumo próprio ou até para venda à rede elétrica nacional passou de vontade de concretização complicada a realidade para muitos portugueses. Para comprovar essa mudança, basta adiantar que, entre 2011 e 2017, a produção descentralizada anual engordou quase 400%.

“Em 2002, aconteceu a primeira tentativa de [produção energética para] autoconsumo. Na altura, tal era tecnologicamente difícil”, conta ao ECO fonte da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG). Mais de uma década depois dessa primeira experiência, muito mudou: publicaram-se diplomas, criaram-se e recriaram-se regimes, assistiu-se a uma evolução tecnológica surpreendente e, por tudo isso, deu-se um aumento significativo da potência instalada e da energia produzida por estes pequenos produtores, em terras lusitanas.

Um ponto manteve-se, contudo, inalterado: os painéis fotovoltaicos continuam a ser, depois de todos estes anos, os equipamentos preferidos pelos portugueses.

Painéis fotovoltaicos são os equipamentos preferidos dos pequenos produtores de energia, em Portugal.Asia Chang

Mas voltando ao início, segundo a entidade supervisora desta atividade, em 2007 e 2008, foram publicados os primeiros diplomas a ter em conta, que estabeleceram os regimes de micro e mini produção, estando a primeira ligada a potências instaladas mais residuais e dirigidas para consumo próprio e a segunda mais focada na indústria. Nesse segundo enquadramento, estava também previsto o pagamento de tarifas garantidas pelo Estado para toda a energia que fosse vendida à rede elétrica nacional.

Seis anos depois, este panorama legislativo mudou, contudo, de figura. O decreto lei nº153/2014 obrigou os pequenos produtores a dizerem ‘adeus’ às tarifas garantidas — que passaram a ser definidas por leilão — e agrupou os regimes mini e micro numa nova designação única: Unidades de Pequena Produção (UPP). A par deste regime — baseado, fundamentalmente, na produção para injeção na rede lusa — nasceram as Unidades de Produção de Autoconsumo (UPAC), regidas elas próprias por novos procedimentos.

Nesse último caso, a injeção na rede pública só acontece quando há excedente, não sendo, por isso, sequer obrigatório o registo da produção em algumas das situações.

Deste modo, se escolher instalar um equipamento — seja ele o tradicional painel fotovoltaico, um aerogerador (para energia eólica) ou um biodigestor (para produção de biogás) — com potência inferior a 200 watts (W) não precisa sequer de comunicar a aquisição à DGEG; se o seu dispositivo, no entanto, ultrapassar esse nível — ficando abaixo dos 1.500 W — terá de fazer uma comunicação prévia à supervisora; os equipamentos com potência instalada superior a 1.500 W são, pois, os únicos que implicam a solicitação de uma licença.

Explicações dadas, quantos quilowatts (kW) de potência instalada já estão registados em Portugal e quantos megawatts por hora (MWh) produzem, anualmente, os portugueses com os equipamentos que têm em casa? O ECO foi questionar a entidade responsável pela supervisão desta atividade.

Potência instalada cresceu mais de 300%

Painéis fotovoltaicos são os equipamentos com maior peso na potência instalada em território nacional.Pixabay

Em 2011, ainda com o antigo regime de micro e mini produção em vigor, a potência instalada em território nacional ultrapassava ligeiramente os 65 mil kW, sendo os equipamentos fotovoltaicos os mais populares entre estes pequenos produtores (com 64.487 kW). Em comparação, no último ano, a potência instalada atingiu os 275.481 kW, o que reflete um aumento de mais de 300% face a 2011.

Os dados mais recentes divulgados pela DGEG indicam que esta tendência de crescimento veio mesmo para ficar. De junho de 2017 a maio de 2018, a potência instalada já subiu para 283.126 kW.

É ainda importante notar que, em todos estes anos, os painéis fotovoltaicos mantiveram-se consistentemente os preferidos dos portugueses. Em regime de UPAC e UPP, no último ano, estava instalada uma potência de 100.208 kW, só no que diz respeito a este tipo de dispositivos de geração energética.

“A energia solar está a tornar-se cada vez mais massificada, devido à poupança cada vez mais atrativa com a redução dos preços dos equipamentos”, reforça, nesse sentido, o administrador da EDP Comercial, em declarações ao ECO. António Coutinho explica que esse disparo se deve também à cada vez maior preocupação do cliente “em utilizar energias limpas e sustentáveis para produzir energia”.

Produção descentralizada atingiu 390 mil MWh

Painéis fotovoltaicos, em regime UPAC ou UPC, ptoduziram 115.715 MWh, no ano passado.Pixabay

Em 2017, foram produzidos, no total, 390.795 MWh, um valor que compara com os 321.788 MWh registados em 2016 e com os 80.176 MWh contabilizados em 2011. De facto, face a esse ano mais longínquo, verificou-se um aumento de quase 400%.

Mais uma vez, os dados mais recentes da DGEG apontam para o reforço da tendência de crescimento que tem sido registada. De junho de 2017 a maio de 2018, já foram produzidos 428.198 MWh.

Saliente-se também que, dos 390 mil MWh produzidos no último ano, 117.327 MWh foram vendidos à rede nacional de serviço UPP, o valor mais elevado de sempre. Em comparação, em 2016, apenas 48.308 MWh foram colocados à venda.

Quanto custa produzir uma bola de Berlim? Os portugueses bebem muita cerveja? Quanto ganha um motorista da Uber? E um presidente de junta? A quem é que Portugal deve mais dinheiro? 31 dias e 31 perguntas. Durante o verão, o ECO preparou a “Sabia que…”, uma rubrica diária para dar 31 respostas.

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