Lucro da Mota-Engil sobe 24% no semestre. Resultado triplica se excluirmos impacto das novas regras de contabilidade

A Mota-Engil viu o lucro recuperar na primeira metade do ano. Ganhou 5,7 milhões de euros e está a ter o melhor desempenho da sessão na bolsa de Lisboa. Promete voltar a pagar dividendos já em 2019.

O lucro da Mota-Engil cresceu 24,4% no primeiro semestre e fixou-se em 5,7 milhões de euros. A construtora aumentou também o volume de negócios em 5%, para 1.251 milhões de euros, segundo os resultados enviados pela empresa à CMVM, que incluem o impacto de novas regras contabilísticas. Excluindo o efeito da adoção da norma de contabilidade IAS 29, os lucros da Mota-Engil triplicaram para 15,2 milhões de euros. Seja como for, a empresa promete voltar a pagar dividendos já no próximo ano.

Com o regresso dos dividendos e o crescimento do lucro, as ações da Mota-Engil registam o melhor desempenho da sessão no PSI-20, num dia de quedas em toda a Europa. Os títulos da construtora avançam 1,75% para 2,910 euros esta quinta-feira.

Em sentido inverso ao do resultado líquido, o lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações (EBITDA) registou um decréscimo de 5% para 176 milhões de euros. A queda do EBITDA é explicada pela Mota-Engil com a redução de 25% da atividade na Europa.

“O volume de negócios no primeiro semestre de 2018 atingiu os 1.251 milhões de euros, o que representou um aumento de cerca de 5% relativamente ao período homólogo de 2017 e que refletiu a fase de transição entre um conjunto de projetos relevantes que estão a terminar e um conjunto de novos projetos na América Latina e em África (nomeadamente em novos mercados), que estão agora na sua fase de arranque”, salienta a empresa na nota enviada aos mercados.

É esperada em 2019 a retoma do pagamento de dividendos sobre o resultado líquido de 2018.

Mota-Engil

A Mota-Engil também teve de investir mais no primeiro semestre, devido às novas adjudicações. A empresa investiu 111 milhões de euros, resultado da “adjudicação de novos e grandes projetos na região de África, nomeadamente na Tanzânia, na Costa do Marfim e em Moçambique, e da execução do plano de investimento definido para as empresas concessionárias da EGF”.

Por isso, a empresa garante ter uma “sólida carteira de encomendas”, no valor de 5,3 mil milhões de euros. Deste montante, 78% são negócios fora da Europa. Por fim, quanto à dívida líquida do grupo, encontra-se “estável” nos mil milhões de euros, “apesar do elevado investimento e do fundo de maneio”.

A apresentação de resultados desta quinta-feira serviu também para a empresa animar as expectativas dos investidores. Numa apresentação enviada à CMVM, a Mota-Engil indica que “é esperada em 2019 a retoma do pagamento de dividendos sobre o resultado líquido de 2018”, depois da interrupção este ano.

A Mota-Engil não pagou dividendos em 2018 relativos ao exercício de 2017, depois de só ter lucrado dois milhões de euros, um resultado líquido que encolheu 97% face a 2016. No entanto, o programa de pagamento de dividendos aos acionistas deverá ser retomado já no ano que vem, com respeito ao resultado apurado no exercício do ano agora em curso.

(Notícia corrigida às 10h02 para ter em conta os resultados que incluem o impacto da adoção da norma contabilística IAS 29)

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