Tecnológicas norte-americanas enviam carta para evitar novas tarifas de Trump

Cisco, Dell, Hewlett Packard Enterprise e Juniper Networks pedem que a medida de Trump, de não impôr novas taxas à China, não se concretize. Pelo contrário, as quatro tecnológicas sugerem negociação.

Convencer o presidente dos Estados Unidos da América (EUA) a não avançar com novas taxas sobre as importações chinesas, no valor de 200 mil milhões de dólares, é o grande objetivo destas empresas, que uniram forças para fazer um último esforço. Quatro importantes tecnológicas norte-americanas decidiram enviar uma carta, na passada quinta-feira, ao representante do comércio dos EUA, Robert Lighthizer.

De acordo com o Financial Times (acesso pago, conteúdo em inglês), Cisco, Dell, Hewlett Packard Enterprise e Juniper Networks pedem, na carta conjunta, que a administração não imponha mais tarifas à China, sugerindo, pelo contrário, que Trump volte a negociar com o maior país da Ásia Oriental.

O principal argumento descrito na carta é que o aumento nos preços teria um impacto negativo quer nos consumidores, como nas pequenas empresas, centros de dados e fornecedores de serviços de internet. Para estas empresas, as tarifas dificultariam a inovação no país, inclusive inovações importantes para o Governos americano, como a computação em nuvem e o lançamento da rede 5G.

“Se o United States Trade Representative (USTR) [Gabinete do Representante de Comércio dos EUA, em português] impusesse uma tarifa adicional de 10% a 25% sobre produtos e acessórios de rede, isso causaria graves danos económicos e desproporcionais aos interesses dos EUA, incluindo às nossas empresas, aos trabalhadores e aos clientes”, lê-se na carta dirigida a Robert Lighthizer.

O Gabinete do Representante do Comércio dos Estados Unidos da América ainda não se pronunciou sobre o pedido das empresas norte-americanas, não prestando qualquer comentário.

Terminou na passada quinta-feira o período de consulta pública sobre o plano de Donald Trump de impor novas tarifas, sendo que o líder da Casa Branca já tinha avisado que pretendia mesmo avançar com esta medida assim que o período de consulta encerrasse. Até ao momento, contudo, Trump não adiantou se o plano segue em frente ou não.

A China já alertou que será forçada a retaliar caso os EUA ignorarem a resistência na consulta pública e imponham mesmo novas taxas, afirmou Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio da China, numa conferência de imprensa, na quinta-feira.

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