Esquerda e direita empatam nas legislativas suecas com extrema-direita em progressão

  • Lusa
  • 10 Setembro 2018

O Partido Social-Democrata do primeiro-ministro, Stefan Löfven, venceu as eleições com 28,35%, seguido pelo Partido Moderado (conservador), com 19,8%, enquanto o SD garantiu 17,6% dos votos.

O bloco governamental de esquerda e a Aliança de centro-direita, na oposição, obtiveram este domingo um resultado idêntico nas legislativas suecas, onde a extrema-direita Democratas da Suécia (SD) se converteu numa decisiva terceira força.

Quando estavam escrutinados 95% dos votos, o conjunto das forças de esquerda estava creditada com 40,6%, face aos 40,3% da Aliança, ambos com 143 lugares no Parlamento, segundo a autoridade eleitoral da Suécia. A extrema-direita, com cerca de 18% dos votos, garantirá 63 deputados, num complexo cenário político pós-eleitoral.

O Partido Social-Democrata do primeiro-ministro, Stefan Löfven, venceu as eleições com 28,35%, seguido pelo Partido Moderado (conservador), com 19,8%, enquanto o SD garantiu 17,6% dos votos.

O chefe do Governo é tradicionalmente o dirigente do partido que obteve mais votos, mas a nova fragmentação política torna qualquer solução particularmente difícil.

Numa primeira reação, o líder ultra direitista Jimmie Åkesson convidou o chefe da oposição de centro-direita, o conservador Ulf Kristersson, a iniciar conversações para formar governo.

“Estou preparado para falar com todos os partidos, mas em particular convido Ulf Kristersson a discutir como governar este país de agora em diante”, disse no seu quartel-general eleitoral em Estocolmo.

Estou preparado para falar com todos os partidos, mas em particular convido Ulf Kristersson a discutir como governar este país de agora em diante.

Ulf Kristersson

Chefe da oposição de centro-direita

A votação foi a primeira a ser realizada desde que a Suécia, país com uma população que ronda os dez milhões de habitantes, recebeu 163 mil requerentes de asilo em 2015, o maior rácio per capita da Europa, no acolhimento de migrantes.

Em poucos meses, o Governo de Estocolmo teve, no entanto, que recuar nas políticas de acolhimento, e o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, admitiu que o país não estava a conseguir lidar com tal fluxo migratório.

Apesar do endurecimento das leis migratórias e do reforço dos controlos fronteiriços, muitos suecos sentem-se abalados por um crescente sentimento de insegurança, alimentado por relatos de violações, carros incendiados e violência de gangues em bairros normalmente associados com a população imigrante, e com uma elevada taxa de desemprego.

O cenário tem sido fértil para a agenda anti-imigração do SD, que, durante a campanha eleitoral, também anunciou a intenção de apresentar um pedido no parlamento para que a permanência sueca na União Europeia (UE) vá a referendo.

Na sexta-feira, o partido divulgou que o líder tinha sido ameaçado de morte.

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