Caixa prevê lucro “significativo” este ano. E Paulo Macedo quer voltar a pagar dividendos ao Estado

A CGD vai voltar a dar lucro este ano. E Paulo Macedo aponta para "resultados positivos significativos". Quanto a dividendos para o Estado, diz que vai discutir com o acionista.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) antecipou-se no regresso aos lucros. Já apresentou resultados positivos no ano passado, sendo que este ano vai voltar fazê-lo. E Paulo Macedo vê “resultados significativos” na CGD, neste exercício. São lucros que podem ir parar aos cofres do Estado. O presidente do banco público diz que está a “ver com o acionista” o regresso da instituição à distribuição de dividendos que ajudará a instituição a cumprir a missão de devolver o dinheiro que recebeu nos últimos anos aos contribuintes.

Depois dos 52 milhões em 2017, na primeira metade do ano a CGD conseguiu apresentar 194 milhões de euros de resultados positivos. Ao ECO, à margem da 31.ª edição dos Investor Relations & Governance Awards, da Deloitte, Paulo Macedo diz que “a Caixa irá cumprir o plano estratégico” em termos de resultados. “Irá apresentar resultados positivos significativos como previa o plano”, afirma o presidente do banco.

Com estes resultados, abre-se a porta dos dividendos. “Os dividendos não estão previstos no plano estratégico, mas claramente a Caixa tem como intuito pagar a ajuda que recebeu do Estado e devolver o dinheiro aos contribuintes“, diz Macedo, reiterando uma posição que tem vindo a defender desde que assumiu a liderança do banco público que foi alvo de um processo de recapitalização de cerca de cinco mil milhões de euros.

E pode haver dividendos já com as contas de 2018? “Iremos ver com o acionista”, diz Paulo Macedo, que sempre se tem mostrado apologista dessa retribuição. E o ECO sabe que o Ministério das Finanças está a avaliar a possibilidade de contar com dividendos da CGD como receita para o Orçamento do Estado (OE) para 2019. No entanto, será preciso luz verde também do exterior.

É preciso convencer a Comissão Europeia, que validou uma recapitalização pública sem a considerar uma ajuda de Estado, de que o programa estratégico está a correr melhor do que o previsto, garantindo que a CGD não precisará, a seguir, de qualquer nova ajuda. E também terá de haver o aval do BCE que, como supervisor da banca europeia, tem igualmente de validar a opção da gestão do banco público.

Paulo Macedo salienta esse mesmo ponto, o da solidez, que será a chave para o ‘ok’ de Bruxelas e de Mario Draghi. “O pagamento de dividendos tem de ter em conta também a solidez da CGD. Iremos ver [a questão do pagamento dos dividendos] com os rácios da CGD. É que a Caixa tem de ser prudente. Tem de ter uma prudência adicional porque em caso de dificuldades não pode ir ao mercado buscar dinheiro”, diz. “Mas os resultados positivos levarão a que se possa pagar ao Estado o que o Estado pôs na Caixa”, remata.

"Haverá algum tipo de contributo [das vendas das operações da CGD no exterior] para os resultados líquidos, mas não é isso que fará os resultados da CGD.”

Paulo Macedo

Presidente da CGD

A ajudar a essa solidez estará a venda das instituições no estrangeiro da CGD, nomeadamente o banco em Espanha. Essas vendas vêm “ajudar a parte do capital”, explica Paulo Macedo. “As operações, o valor delas, já está refletido nas contas”, acrescenta, salientando que “haverá algum tipo de contributo para os resultados líquidos, mas não é isso que fará os resultados da CGD”, remata o presidente do banco ao ECO.

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