Paulo Macedo: “Nesta década, a banca toda tem milhares de milhões de prejuízos”

O presidente da Caixa recusa comentar os resultados do Novo Banco e recorda que o valor da injeção do Fundo de Resolução no Novo Banco já estava previsto.

Paulo Macedo recusa comentar os 1,39 mil milhões de euros de prejuízos do Novo Banco ou a alternativa de ter deixado fechar o Banco Espírito Santo, tendo em conta a dimensão da injeção de dinheiro dos contribuintes que já foi feita. Em entrevista ao ECO24, o presidente da Caixa Geral de Depósitos sublinha os maus resultados que a banca em geral teve na última década e a ideia errada de que é necessário “reduzir as grandes rentabilidades da banca”.

No programa em parceria entre o ECO e a TVI, Paulo Macedo defende que os bancos “têm de fazer um trabalho sério” ao nível da “solidez e da rentabilidade”, mas recusa admitir que possa haver problemas de concorrência desleal já que um dos bancos do sistema está a ser ajudado pelo Estado e pelos outros bancos. O antigo gestor do BCP defende apenas que o importante é que “possa haver regras idênticas para os diferentes bancos”.

E num breve aparte, aludiu aos diversos problemas que a Caixa já atravessou. “Na Caixa, se fosse olhar para o passado tinha muito com que me entreter”, concluiu.

Os resultados do Novo Banco estão abaixo do esperado. O Fundo de Resolução vai ter de injetar cerca de 800 milhões de euros o banco, dinheiro que também é seu. Como avalia a necessidade de pôr mais 800 milhões de euros no Novo Banco, depois dos sete mil milhões que foram gastos nestes últimos anos?

Não vou comentar os resultado do Novo Banco. O Novo Banco comentará os resultados deles. Com este resultado do Novo Banco, o que acontece é que o sistema financeiro português voltou, como um todo, a dar prejuízo. E isso aconteceu em 2017, 2016, 2015, enfim, em 2014, 2013, 2012 e em 2011. Às vezes, parece que se quer reduzir as grandes rentabilidades da banca. Ora, nesta década, a banca toda tem uns milhares de milhões de prejuízos, mesmo que os bancos cumpram todas as suas previsões de resultados. Os bancos têm de fazer um trabalho sério na questão da solidez e da sua rentabilidade. E, em termos de entorno competitivo, é bom que isso possa ser uma realidade.

Mas também é bom que o bolso dos contribuintes passe a ter fundo.

Claro.

Estamos a falar de sete mil milhões de euros nos últimos anos. Há quem questione se não era melhor ter deixado o banco BES fechar.

É muito difícil fazer o contrafactual dessa realidade.

É justo, em termos de concorrência, quando um banco recebe dinheiro de um fundo de outros bancos, nomeadamente a Caixa, num valor dessa grandeza -- 800 milhões de euros?

O que acho relevante é que possa haver regras idênticas para os diferentes bancos. A questão da dotação para o Fundo de Resolução e este valor é algo e que já estava previsto há dois anos. A Caixa, na altura, expressou-se e outros bancos também. Neste ponto, o que nos preocupa é olhar para o futuro. Na Caixa, se fosse olhar para o passado tinha muito com que me entreter.

  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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