Paulo Macedo: “Temos um valor ambicioso de aumento das comissões”

A Caixa aumentou as comissões no ano passado e não vai ficar por aqui. Paulo Macedo fala numa subida "ambiciosa" do comissionamento do banco público.

Paulo Macedo adiantou em entrevista ao ECO24 que a Caixa Geral de Depósitos vai voltar a aumentar as comissões “num valor ambicioso”. Ainda assim, assegura que o banco público vai manter-se com o comissionamento mais baixo do mercado.

As comissões passaram a ser uma das fontes de receitas da Caixa. O que podemos esperar?

As comissões da Caixa aumentaram 3% no ano passado. São em média cerca de 60% dos restantes bancos.

Quanto vão aumentar este ano?

Temos um valor ambicioso de aumento das comissões. As comissões mais importantes para a Caixa são as que estão associadas ao crédito e, em segundo lugar, ao sistema de pagamento. Em terceiro lugar, estão as comissões com seguros e gestão de ativos. E, depois, as comissões nas contas à ordem.

O que a Caixa tem de fazer é, cada vez mais, conseguir servir os seus quatro milhões de clientes em todo o tipo de produtos e não apenas em depósitos ou crédito à habitação. Queremos evitar que um cliente da Caixa faça um seguro junto de outro banco ou uma aplicação em fundos de investimento noutro banco, enquanto faz connosco o depósito. Queremos crescer em aplicações, no volume de negócios, aumentando a vinculação e a fidelização. É um caminho pelo qual todos os bancos lutarão e a Caixa vai lutar por fazer mais negócio com os seus clientes atuais.

Mas numa era tecnológica há transferências de dinheiro que não passam sequer pelo banco, não é um contrassenso taxar os pagamentos?

É um mercado extremamente competitivo. A Caixa tem mais de um milhão de clientes portugueses que interagem com o banco a através da internet. Isto faz da Caixa o maior banco com cientes que fazem transações na internet. Precisamos de dar cada vez melhores serviços, serviços que são o best in class, o melhor que está disponível. A Caixa, através da SIBS, está a trabalhar nessa modernização tecnológica. Por outro lado, para proteger essa área, tem de competir e dar o melhor serviço.

Por isso tem de ser igual aos outros privados, por exemplo, na política de comissões.

Não precisa de ser igual neste sentido: por exemplo, a Caixa é quem tem mais contas de serviços mínimos bancários. Penso que só há mais dois bancos a isentar os serviços mínimos bancários. E a Caixa não tem de ter, e não tem com certeza, as comissões mais baixas em cada produto, mas claramente quer dizer aos seus clientes que terá das comissões mais baixas do mercado.

  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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