Conheça as cinco vitórias do turismo nacional. E os três riscos

Como está a o setor do turismo? Os indicadores aceleram na época baixa e em alguns dos destinos menos procurados, mas abrandam na época alta e nos destinos de maior peso.

Passados cinco anos desde que o turismo nacional iniciou um ciclo de recordes sucessivos, ano após ano, o setor começa agora a dar claros sinais de desaceleração. Enquanto o país consegue atrair mais turistas durante os meses tradicionalmente de época baixa, ao mesmo tempo que acelera o crescimento em alguns dos destinos menos procurados, o contrário está a acontecer nos meses de época alta e nos destinos de maior peso, que começam a abrandar. Mesmo assim, as receitas turísticas continuam a aumentar a dois dígitos, o que significa que os operadores do setor estão a conseguir praticar preços cada vez mais elevados.

Era uma das bandeiras mais antigas do setor e os resultados são agora notórios: o crescimento tem acontecido, sobretudo, durante os meses de época baixa, ajudando a esbater os efeitos da sazonalidade. Este ano, a diferença é particularmente acentuada, apesar de ainda não estarem disponíveis os dados completos do verão. Durante os meses do primeiro trimestre, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de hóspedes e de dormidas cresceu, em ambos os casos, a uma média de 7% em termos homólogos.

Já no arranque deste verão, estes indicadores registaram quebras. O número de hóspedes recuou 0,2% em junho e 2,1% em julho, enquanto o número de dormidas caiu 3,% e 2,7% nestes dois meses. Há um ano, já se verificava alguma desaceleração nos meses de verão, mas ainda havia crescimento.

Outra meta a ser alcançada é a diversificação dos destinos. O Alentejo, a segunda região com menor peso no setor do turismo, depois dos Açores, é também aquela que mais está a crescer este ano. Entre janeiro e julho, o número de hóspedes aumentou em 6% nesta região, enquanto as dormidas subiram 5%. O mesmo tem acontecido na região Norte, cujo crescimento ao longo dos últimos anos tem sido dos mais constantes e que, este ano, no período de janeiro a julho, ultrapassou o Algarve e é, para já, a segunda maior região do país em termos de peso turístico. O Norte viu os hóspedes e as dormidas aumentarem em 5% no conjunto dos sete primeiros meses do ano.

O mesmo não acontece nos dois maiores destinos do país. Enquanto em Lisboa o crescimento está a abrandar significativamente, no Algarve há mesmo uma quebra. A Área Metropolitana de Lisboa viu os hóspedes e as dormidas aumentarem em 2% entre janeiro e julho, enquanto no Algarve os hóspedes diminuíram em 0,3% e as dormidas caíram 2%.

Apesar do abrandamento do número de turistas e de dormidas, as receitas turísticas continuam a crescer a dois dígitos no conjunto deste ano. Entre janeiro e julho, as receitas turísticas ultrapassaram os 8,9 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Significa isto que os operadores do setor estão a praticar preços mais elevados, como prova também a evolução dos proveitos da hotelaria, que aumentaram em mais de 8% até julho. Mesmo assim, tanto as receitas turísticas como os proveitos da hotelaria estão a crescer menos na época alta deste ano do que em anos anteriores.

Com a evolução constante das receitas turísticas, o setor mantém o peso significativo sobre a balança corrente. No final de julho, o turismo respondia por 70% do saldo da balança de serviços, que se fixou em 8,8 mil milhões de euros, contribuindo em grande escala, por sua vez, para o saldo positivo da balança de bens e serviços. É um fator positivo, que representa também um risco para a economia nacional: um abrandamento da atividade turística e possível travagem abrupta das receitas turísticas teria um impacto negativo muito forte sobre as balanças.

Outra área que não dá sinais de desaceleração é o emprego. No final do segundo trimestre deste ano, o setor de alojamento, restauração e similares empregava 335.600 trabalhadores, o equivalente a perto de 7% do total da população empregada em Portugal. Já no conjunto de 2017, o setor empregava 323.200 pessoas, o que representou um aumento de 15% em relação ao final de 2016.

Se há desafio que o setor do turismo não consegue ultrapassar é o da ocupação. A taxa de ocupação mensal média entre janeiro e julho deste ano fixou-se nos 49,5%, o que significa que um pouco menos de metade do total de camas disponíveis em todo o país estiveram ocupadas durante este período. A taxa deste ano representa também uma diminuição de um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Este será um dos maiores desafios para o setor, sobretudo tendo em conta que, enquanto o número de hóspedes e de dormidas já começa a abrandam, a oferta continua a aumentar de ano para ano. No final de 2017, último ano para o qual existem dados do INE, Portugal contava com 5.840 estabelecimentos hoteleiros; em 2014, tinha 3.578 estabelecimentos.

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