Itália assume orçamento despesista. Bolsa afunda 4% e juros da dívida disparam

Milão está a afundar mais de 4% e os juros da dívida italiana disparam mais de 30 pontos base. Furacão em Itália está a varrer outras praças financeiras, como Lisboa. E castiga sobretudo a banca.

Itália volta ao olho do furacão nos mercados internacionais esta sexta-feira, com a bolsa de Milão a afundar mais de 4% perante a queda livre dos bancos. Também os juros da dívida do país estão a disparar no mercado secundário com os receios dos investidores em relação ao que o Governo italiano apelida de “Orçamento da mudança”, em desafio claro a Bruxelas. Os efeitos também se fazem sentir por cá. A desconfiança do mercado arrasta o BCP, com as ações do banco a cederem 3%. E a praça lisboeta cai mais de 1%.

Após várias semanas de negociações, o Executivo italiano chegou a um acordo em relação ao próximo Orçamento do Estado e está a apontar para um défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano e além, deixando os investidores pouco ou nada confortáveis com as contas públicas italianas.

Para os vice-primeiro-ministros Luigi de Maio e Matteo Salvini, que lideram os partidos da coligação que forma o Governo e gritaram vitória sobre aquilo que era a posição do ministro da Economia sobre um défice orçamental em torno dos 2%, é o “Orçamento da mudança” na vida dos italianos.

Para já, as mudanças estão sobretudo a observar-se no apetite pelo risco dos investidores. Ou na falta dele. Por exemplo, o índice milanês FTSE-Mib está a cair mais de 4% naquele que é o pior desempenho em toda a Europa, com os bancos Intesa Sanpaolo e Unicredit sob intensa pressão vendedora: as ações desde dois grandes bancos italianos cedem 7,7% e 8,42%, respetivamente.

No mercado de dívida, os juros associados aos títulos italianos também se agravam de forma acentuada, com a yield das obrigações a dez anos a disparar mais de 30 pontos base para 3,22%. Itália é um dos países com maior dívida pública na Zona Euro, acima dos 130% do PIB.

“Os mercados já fizeram o seu julgamento e é claro que não gostam”, disse Stewart Robertson, economista sénior da Aviva Investors, citado pela agência Reuters. “Não é apenas o facto de o número do défice ficar nos 2,4% mas antes o facto de permanecer lá nos próximos três anos”, acrescentou.

"Os mercados já fizeram o seu julgamento e é claro que não gostam. Não é apenas o facto de o número do défice ficar nos 2,4% mas antes o facto de permanecer lá nos próximos três anos.”

Stewart Robertson

Economista sénior da Aviva Investors

Embora o epicentro da crise de confiança dos investidores esteja localizado em Roma, as ondas de choque espalham-se um pouco por todos os mercados do Velho Continente.

Por cá, o PSI-20 perde 1,6% para 5.337,60 pontos com todas as cotadas no vermelho. O BCP tomba 3,82% para 0,2531 euros e está a ser pressionado por dois fatores: corrige em baixa após várias sessões a valorizar e acompanha o sentimento de aversão ao risco que todo o setor financeiro europeu observa nesta sessão. O índice dos bancos europeus da Zona Euro está a cair mais de 4%.

Outras cotadas nacionais em destaque: a EDP perde 2,59% para 3,202 euros, depois de a elétrica ter revisto em baixa as suas estimativas para o lucro entre 200 milhões e 300 milhões para este ano por causa dos CMEC.

No mercado de dívida, embora os juros dos títulos portugueses estejam a subir em quase todos os prazos, no prazo a dez anos regista-se uma ligeira descida de um ponto base para 1,88%

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