Itália novamente sob pressão. Bolsa cai 2% e juros da dívida em máximos de quatro anos

A bolsa italiana sofre perdas de quase 2%, até mínimos de abril de 2017, com sell-off na banca. No mercado da dívida, os juros italianos a dez anos sobem para máximos de quatro anos e meio.

Os sinais de alerta voltaram a focar-se em Itália. A bolsa italiana sofre perdas de quase 2%, para mínimos de final de abril de 2017, condicionada por um sell-off na banca, num dia em que os juros da dívida soberana sobem. A taxa a dez anos acelera para máximos de quatro anos e meio. Efeitos fazem sentir-se nos restantes mercados europeus, com a bolsas em queda e os juros da dívida em alta.

A bolsa italiana está a ser pressionada pela incerteza em torno do Orçamento do país. Isto depois de Roma ter apresentado uma previsão de défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 e 2019, não cumprindo assim as metas definidas com Bruxelas.

Os investidores revelam assim o seu nervosismo face à turbulência política que se assiste naquele país da Europa, que já motivou o alerta dos responsáveis europeus. Foi o que aconteceu com Mario Centeno que, na segunda-feira, alertou para a necessidade de Itália seguir os princípios orçamentais da Europa. Também Jean-Claude Juncker comparou aquilo que se passa em Itália com a Grécia.

Evolução da taxa de juro italiana a dez anos

Para agravar a situação, um alto responsável da Liga, um dos partidos que faz parte da coligação do Governo italiano, veio afirmar que os problemas de Itália seriam resolvidos caso regressasse à própria moeda, acenando assim com um cenário de saída da Zona Euro.

Entretanto, Giuseppe Conte reuniu-se de urgência com o Presidente Sergio Matarelli que quis controlar o tipo de declarações que têm sido feitas por elementos da coligação governamental, atendendo ao impacto que estas estão a ter nos mercados.

“Neste ambiente em que todos estão nervosos, estes comentários apenas adicionam o sentimento de fuga ao risco”, disse Christoph Rieger, do Commerzbank, citado pela Reuters.

Perante este cenário, a bolsa italiana apresenta-se muito volátil, tendo já estado a desvalorizar 1,9%, para o patamar mais baixo desde o final de abril do ano passado. A banca italiana apresenta perdas de 2,8%, tendo em conta ao facto de ser mais vulnerável aos juros da dívida e à instabilidade política. Este setor também está a ser o principal responsável pelas perdas de 0,4% apresentadas pelo índice europeu Stoxx 600. Já em Portugal, as quedas do PSI-20 são de 0,35%, com o BCP a ser determinante para esse rumo.

No mercado da dívida, o sentimento é transversalmente negativo a nível europeu, incluindo os juros portugueses. Mas Itália sobressai com a taxa a dez anos a atingir a fasquia mais elevada desde março de 2014. Sobe 11 pontos base até aos 3,41%. Por sua vez, o spread face à dívida alemã atinge o valor mais elevado dos últimos cinco anos. Os juros portugueses seguem a mesma tendência, com a taxa a dez anos a avançar 0,06 pontos base para 1,908%.

Também o euro não escapa à pressão, com a moeda única da Zona Euro a recuar 0,41% para os 1,1529 dólares. Ou seja, para mínimos de agosto.

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