Autoeuropa paga mais ao fim de semana e dá bónus de 600 euros. Trabalhadores querem mais

  • Marta Santos Silva
  • 4 Outubro 2018

A administração e a Comissão de Trabalhadores da fábrica de Palmela continuam sem chegar a acordo. A empresa já terá proposto compensação adicional pelos fins de semana, mas ainda aquém do exigido.

A laboração contínua já está em vigor há mais de um mês na Autoeuropa, mas a Comissão de Trabalhadores (CT) e administração da fábrica da Volkswagen ainda não conseguiram chegar a um acordo. A empresa está a ceder em todos as exigências, mas as propostas ficam aquém tanto em termos da atualização salarial pretendida como da compensação adicional pelo trabalho ao fim de semana. A CT pede mais. As reuniões vão continuar.

Ao que o ECO apurou, a administração da Autoeuropa terá proposto que a compensação do horário de laboração contínua aumentasse dos 100% atuais pagos pelo fim de semana (que resultam de um pagamento adicional de 50% no sábado e 50% no domingo) para os 160%, num modelo de 80% adicionais no sábado e outros 80% no domingo.

Os trabalhadores, no entanto, mantêm a sua exigência de um pagamento de 100% pelo sábado e outros 100% pelo domingo. “As principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão ainda longe de estarem satisfeitas”, lê-se num comunicado enviado pela Comissão de Trabalhadores esta quarta-feira, a que o ECO teve acesso. A próxima reunião estará marcada para a próxima semana.

A empresa oferecerá ainda, no âmbito de um acordo a dois anos, e não a três como previsto, que seja pago prémio anual de 600 euros, e um aumento salarial de acordo com a inflação. Os trabalhadores reivindicavam, no entanto, um premio de 1.000 euros só para o início de 2019 e aumentos salariais de 4%, o que ficaria acima do nível da inflação. A CT refere mesmo no comunicado que “a administração insiste em não negociar um valor que aumente o poder de compra dos trabalhadores”.

"A insatisfação generaliza-se em todas as áreas e departamentos da empresa e o clima de tensão vai-se instalando. Perante os resultados que foram recentemente tornados públicos, todo este crescimento não pode apenas ser refletido nos bolsos dos acionistas da Volkswagen.”

Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa

Finalmente, os trabalhadores exigiam no caderno de encargos a integração de 400 trabalhadores precários nos quadros da empresa. A administração estará disposta, segundo sabe o ECO, a integrar 250 trabalhadores em 2018 e mais 250 em 2019.

Para a CT, conforme escreveu no comunicado, a posição da empresa não se justifica por falta de recursos. “A produção aumentou de forma exponencial e os horários de trabalho semanal foram alargados e alterados com implicações na vida dos trabalhadores”, lê-se no texto.

“A insatisfação generaliza-se em todas as áreas e departamentos da empresa e o clima de tensão vai-se instalando”, diz o documento. “Perante os resultados que foram recentemente tornados públicos, todo este crescimento não pode apenas ser refletido nos bolsos dos acionistas da Volkswagen”, remata.

Atualmente, os trabalhadores estão organizados em escalas que envolvem 19 turnos semanais: três por dia aos dias de semana (um das 7h00 às 14h00, um das 14h00 às 0h00, e um das 0h00 às 7h00), e dois ao sábado e ao domingo, dias em que não existe turno da noite.

Assim, a fábrica assegura a laboração contínua e uma produção cada vez maior do novo veículo T-Roc, o que já permitiu à Autoeuropa quebrar o seu próprio recorde de produção anual que já vigorava há 20 anos. Ainda não é certo durante quanto tempo vigorará este modelo laboral, que depende de vários aspetos, incluindo da evolução da procura dos automóveis fabricados em Palmela.

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