S&P mantém rating de Itália. Mas baixa perspectiva para negativa

A agência optou por descer a perspetiva para negativa, mas a notação manteve-se em nível de investimento, dois níveis acima de lixo.

A Standard & Poor’s decidiu manter o rating de Itália em BBB, mas baixou a perspetiva para negativa, o que indicia que são maiores os risco de uma posição revisão em baixa da notação. Itália continua assim classificada em nível de investimento, dois níveis acima de lixo.

A decisão da S&P surge como um alívio para os investidores já que muitos antecipavam a possibilidade de um downgrade, na sequência da deterioração das contas públicas do país e do menos esforço de consolidação orçamental inscrito na proposta de Orçamento do Estado para 2019. Um aliviar do ajustamento estrutural que levou a Comissão Europeia, num gesto inédito, a chumbar a proposta italiana.

O facto de também a Moody’s ter decidido, na passada sexta-feira, baixar o rating de Itália para um nível acima de ‘lixo’ também alimentava as preocupações dos investidores.

A S&P justifica a sua decisão pelo facto de a decisão de aumentar ainda mais o endividamento público — “apesar de agravar a já fraca posição orçamental” — “vai sufocar a retoma incipiente do setor privado”. O problema reside no facto de ser o crescimento económico que tem sido o garante da sustentabilidade da dívida pública, em torno de 130% do PIB.

As previsões da agência apontam para um défice em torno dos 2,7% do PIB e não 2,4% como estima o Governo italiano. A S&P alerta que as opções de política orçamental de Itália estão a “erodir a confiança dos investidores”, tal como o demonstra a crescente yield da dívida. “Isto, por sua vez, está a afetar negativamente a capacidade dos bancos acederem aos mercados e, em menor grau, os seus rácios de capital”, escreve a agência de notação financeira no comunicado onde anuncia a sua decisão.

Sendo os bancos o maior credor individual do Estado, “um aumento adicional nas yields poderá reduzir a sua capacidade de financiar a economia italiana já que desviam recursos do setor privado, em especial das PME”.

Ter perspetiva negativa significa que nos próximos 24 meses, a S&P poderá rever em baixa o rating isto se as condições externas de financiamento da economia se deteriorarem ainda mais devido à “persistentes incerteza política” e as suas “implicações potencialmente adversas para os bancos italianos e para o país”, mas também se as previsões de défice e de dívida se agravarem “significativamente” face às previsões da S&P. A agência espera uma dívida pública de 128,5% do PIB no próximo ano.

Outro fator de risco será um abrandamento mais significativo do crescimento que deverá ser de 1,1% em 2019, 1%, em 2020 e 0,9% em 2021. A estimativa exagerada do Executivo quanto às previsões de crescimento poderão levar a uma política desfasada das reais receitas fiscais que o país pode obter, já para não falar “da ameaça” que representa o crescimento da despesa futura com pensões, agora que o Executivo italiano decidiu reverter a reforma Fornero, que estava a ser levada a cabo.

(Notícia atualizada com mais informação)

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