Fact Checking? Portugal vai ter o seu próprio Polígrafo de notícias

Novo meio de comunicação liderado pelo jornalista Fernando Esteves será uma ferramenta de fact checking sem ligação a qualquer grupo editorial.

Portugal vai ter um novo jornal online dedicado à ferramenta fact checking, metodologia celebrizada nas últimas eleições norte-americanas, chamado Polígrafo. O projeto foi apresentado esta terça-feira, no Web Summit, pelo diretor, o jornalista Fernando Esteves.

“Eu não posso garantir que posso dar apenas notícias verdadeiras porque as notícias são feitas por homens, e os homens erram”, explica Fernando Esteves, jornalista e diretor do Polígrafo.

Fernando Esteves, diretor do Polígrafo.D.R.

A ideia de criar o Polígrafo surgiu em maio de 2017, altura em que o jornalista Fernando Esteves deixou de ser editor de Internacional, na revista Sábado. A redação, que vai contar com uma equipa fixa de entre 10 a 12 pessoas, já está disponível online.

O Polígrafo vai publicar quatro conteúdos diários de “alta qualidade” que, espera Fernando Esteves, “que podem marcar o dia, a agenda, o debate político. A nossa guerra não é a das page views. Mas seremos uma marca sólida, vendável, para marcas que se queiram associar a um conceito”.

Quanto ao modelo de negócio, Fernando Esteves diz que este assenta numa lógica semelhante aos que já existem noutros: publicidade, conferências e uma outra área essencial: a “literacia mediática”, que vai basear-se, por exemplo, em workshops em escolas.

“Vamos apostar no Whatsapp como o meio preferencial de comunicação com os nossos leitores. (…) Isto faz com que os leitores se sintam parte da cobertura noticiosa, que vai diminuir o fosso entre os leitores e os media”, detalha o jornalista, afirmando que quer “que o Polígrafo seja o Google da verdade”.

O projeto será integrado na rede Sapo mas é independente de qualquer grupo de comunicação social. Os acionistas do projeto são o diretor, Fernando Esteves, a Big Creative media, empresa de produção de conteúdos audiovisuais e que vai estar presente no dia-a-dia da redação e, ainda, o Emerald Group, dedicado a negócios no imobiliário e com presença no Dubai. O orçamento anual do Polígrafo são algumas centenas de milhares de euros.

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