Carlos Ghosn detido por fraude fiscal. Ações da Renault derrapam 13% em bolsa

O chairman da Renault-Nissan está a ser investigado pelas autoridades japonesas por fraude fiscal. A Nissan quer despedir Ghosn. As ações da gigante automóvel sofrem uma queda de mais de 13% em bolsa.

Carlos Ghosn, o patrão da Renault-Nissan, está a ser investigado por fraude fiscal no Japão e já foi detido, de acordo com o principal jornal japonês o YomiuriShimbun. A Reuters avança também que a Nissan já está a acionar os mecanismos necessários para terminar o contrato de Ghosn. A notícia está a ter um impacto muito negativo nos títulos do gigante da construção automóvel. As ações da Renault derrapam em torno de 13% na bolsa de Paris.

De acordo com o jornal japonês Asahi, Carlos Ghosn, chairman e CEO do Grupo Renault, é suspeito de ter subestimado as suas próprias declarações de impostos, tendo acordado em falar com as autoridades. O mesmo jornal dá conta que as autoridades japonesas começaram a fazer buscas na sede da Nissan nesta segunda-feira de manhã. Em causa estará uma declaração de salários inferior ao realmente auferido que ascenderá a centenas de milhões de ienes.

Em junho, os acionistas da Renault aprovaram um prémio de 7,4 milhões de euros a atribuir a Calos Ghosn. A esse valor acrescem ainda 9,2 milhões de euros que lhe foram dados no último ano enquanto CEO da Nissan.

Carlos Ghosn foi entretanto detido pelo Ministério Público por presumível violação da regulamentação nipónica sobre os instrumentos financeiros e a Bolsa. No entanto, segundo a Reuters, as autoridades não comentaram o caso.

Já o conselho de administração da Nissan está a avançar com uma proposta para terminar, o mais rapidamente possível, o contrato de Ghosn, tendo por base um relatório que denuncia as transgressões do CEO, que terá utilizado dinheiro da empresa em benefício próprio.

“Muitas outras práticas ilícitas foram descobertas, como o uso de bens da empresa para fins pessoais”, confirmou o construtor, adiantando que a direção irá propor a “demissão do cargo rapidamente”.

A cadeia televisiva pública NHK indicou que o interrogatório ocorreu depois do fabricante automóvel ter levado a cabo uma investigação interna, no qual registou “faltas graves”.

Fontes da Nissan citadas pela Kyodo disseram que a proposta de destituição do dirigente deverá acontecer na próxima reunião e que a pessoa que denunciou as supostas irregularidades financeiras também alertou, há vários meses, as autoridades competentes.

Ações da Renault no último mês

Fonte: Reuters

A notícia surpreendeu os analistas, já que o gestor brasileiro de ascendência libanesa é muito considerado a nível mundial. Ghosn chegou à Nissan em 1999 como presidente executivo para liderar a recuperação do fabricante, com sede em Yokohama, depois de ter oficializado uma aliança com a francesa Renault. Conseguiu dar a volta ao grupo, salvando-o da ameaça de falência.

Se a notícia surpreendeu os analistas, fez o mesmo aos investidores. As ações da gigante automóvel derrapam 13,22%, para os 8,41 euros na bolsa de Paris, para mínimos de mais de quatro anos.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h38 com mais informação)

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