OPEP acorda corte de 1,2 milhões de barris. Petróleo dispara

  • Leonor Mateus Ferreira
  • 7 Dezembro 2018

Os líderes dos principais países exportadores reuniram-se em Viena para decidir estratégia do próximo ano. Debate ficou marcado pela pressão de Donald Trump e pelas sanções dos EUA ao Irão.

Os maiores produtores de petróleo do mundo (excluindo os EUA) vão reduzir a oferta da matéria-prima em 1,2 milhões de barris por dia a partir de janeiro. A decisão foi tomada na reunião de dois dias da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros líderes que alinham no acordo de cortes de produção, que terminou esta sexta-feira em Viena, na Áustria, e que ficou marcada pela pressão do presidente norte-americano Donald Trump para uma inversão na estratégia, bem como pelas sanções ao Irão.

Os países do cartel vão participar com uma redução de 800 mil barris por dia, enquanto os restantes Estados vão diminuir a produção com 400 mil barris, segundo confirmou o ministro da Energia russo, Alexander Novak, à Reuters. “A Rússia concordou um corte de produção de 2% face a outubro de 2018”, acrescentou.

Após as quedas expressivas do preço desde o pico de outubro, a expectativa sobre o acordo tem levado a uma recuperação nos últimos dois dias. Esta sexta-feira, o Brent sobe 5,16% para 63,16 dólares por barril e o WTI avança 4,35% para 53,74 dólares.

Petróleo continua longe do preço de outubro

As negociações entre os líderes foram atrasadas pela situação iraniana. Após alegar que o Irão tem desrespeitado o acordo nuclear, os EUA aplicaram sanções ao setor do petróleo e gás iranianos, que entraram em vigor em novembro. A União Europeia opôs-se à medida e alguns países importadores (como a China, Índia, Coreia do Sul, Japão e Turquia) ficaram de fora, mas ainda assim o país defendeu não ter capacidade de cortar a produção devido ao impacto das sanções na economia.

A concorrente Arábia Saudita (que está a ser pressionado pelos EUA a não alinhar na estratégia) não queria, no entanto, assinar qualquer tipo de acordo que excluísse o Irão.

À saída da reunião, o ministro do Petróleo do Irão, Bijan Namdar Xanganeh, explicou que foi alcançado um acordo de princípio. “Conseguimos o que queríamos que era um acordo que beneficia a OPEP e a nação iraniana”, afirmou. A par do Irão, também a Venezuela e a Líbia são excluídas do diminuição da produção devido a crises em ambos países. A extensão do acordo tem efeito a partir de janeiro e será os volumes de produção serão revistos novamente em abril.

(Notícia atualizada às 16h25)

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