Investidores nacionais põem “todos os ovos no mesmo cesto” mas assumem pouco risco

Estudo da Schroders diz que 41% dos investidores nacionais reconhecem diversificar pouco ou nada os seus ativos. Continuam também a ter expectativas irrealistas face aos retornos. Esperam ganhar 10%.

A tradição mantém-se. Chegada a hora de escolher onde aplicar o seu dinheiro, os investidores portugueses continuam a ter o mau hábito de “colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Esta tendência é percetível num estudo da Schroders que procurou avaliar a forma como os investidores a nível global tomam decisões de investimento, tendo também olhado para a realidade nacional.

“Uma das principais conclusões do estudo é a de que os investidores portugueses não diversificam tanto os seus ativos como os congéneres mundiais”, começa por referir o banco de investimento britânico, citando as conclusões que constam do Global Investor Study 2018.

Nesse estudo, 41% dos investidores nacionais inquiridos reconheceram diversificar pouco ou nada os seus ativos, sendo que ainda 14% daqueles que apresentam um nível superior de conhecimento assumiu que o seu portefólio é pouco ou nada diversificado.

Um investidor global tipo divide normalmente o seu portfólio da seguinte forma: um terço em ações, um quarto em dinheiro e o resto dividido entre obrigações, imobiliário e investimentos alternativos.

Forma como os investidores globais distribuem os portefólios

Em termos de distribuição por classes de ativos, os portugueses colocam em média 57,1% dos seus investimentos em ativos de baixo risco, revelando assim nas palavras da Schroders “a mais alta alocação deste tipo no mundo”.

Apesar dessa preferência, os investidores portugueses apresentam uma expectativa de retornos muito elevada e pouco previsível face aos produtos financeiros que privilegiam. “Têm uma expectativa anual de retorno na ordem dos 10%“, adianta a Schroders, explicando que “não é uma expectativa realista, sendo por isso provável que fiquem desapontados com os seus rendimentos”.

"As pessoas têm grandes expectativas em relação às suas poupanças; planeiam o futuro e esperam que os seus investimentos possam crescer de forma a tornar esses planos uma realidade. No entanto, se as suas estimativas estiverem muito longe da realidade, esses planos podem facilmente derrapar.”

Carla Bergareche

Diretora Geral da Schroders em Espanha e Portugal

Na edição do ano passado do mesmo estudo, já era notória essa expectativa irrealista. Há um ano, o banco de investimento dizia que os investidores portugueses esperavam obter um retorno médio anual de 9,4%.

“As pessoas têm grandes expectativas em relação às suas poupanças; planeiam o futuro e esperam que os seus investimentos possam crescer de forma a tornar esses planos uma realidade. No entanto, se as suas estimativas estiverem muito longe da realidade, esses planos podem facilmente derrapar”, vaticina assim Carla Bergareche, Diretora Geral da Schroders em Espanha e Portugal.

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