Moçambique inova com farinha de banana que aproveita todo o fruto

  • Lusa
  • 17 Dezembro 2018

Uma empreendedora moçambicana criou uma empresa que produz farinha de banana e aproveita 100% do fruto, reforçando a qualidade nutricional do alimento e eliminando os resíduos.

Uma empreendedora moçambicana criou uma empresa que produz farinha de banana e aproveita 100% do fruto, reforçando a qualidade nutricional do alimento e eliminando os resíduos. A Finana foi criada há três anos por Filomena Matimbe, que decidiu valorizar de outra forma um dos alimentos mais consumidos em Moçambique.

“A banana é uma boa fruta e as pessoas devem continuar a comê-la, mas encontrei outra alternativa de comer banana, com mais nutrientes e melhor aproveitamento da fruta”, disse à Lusa a empresária de 54 anos.

Depois de se formar em Administração e Gestão de Empresas em Chimoio, uma das regiões que mais produz banana em Moçambique, Filomena voltou a Maputo, comprou uma “machamba” (plantação) de banana e começou a desenvolver a sua ideia.

A transformação do fruto em farinha permite aumentar a sua conservação (a banana só dura nove dias, mas a farinha tem dois anos de validade) e até a casca, normalmente usada para a alimentação animal, pode ser aproveitada.

“Este ano iniciei a produção de farinha de banana com casca que tem mais nutrientes do que a farinha. Além disso, consigo fazer todo o aproveitamento do fruto”, eliminando o que seria considerado lixo, adianta a responsável da Finana.

Para produzir a farinha simples, a casca de banana é separada, seca e moída para fazer ração, enquanto a linha de farinha integral incorpora a casca de banana, aumentando o nível de nutrientes e os polifenóis (substâncias antioxidantes), que torna este alimento “um aliado forte na luta contra o cancro”, sublinha.

Precisava de cerca de 300 mil dólares para triplicar a produção diária e gostaria no futuro de construir uma fábrica própria.

Filomena Matimbe

Finana

A Finana, que emprega 13 trabalhadores, compra 95% da banana (verde) que usa aos agricultores locais e os restantes 5% são produzidos na pequena “machamba” de Filomena. Atualmente, produz 500 quilos de farinha por dia, mas Filomena está à procura de investidores para fazer crescer o negócio.

“Precisava de cerca de 300 mil dólares para triplicar a produção diária e gostaria no futuro de construir uma fábrica própria”, sonha a gestora, que já investiu 110 mil dólares na empresa.

A farinha da Finana é vendida sobretudo a organizações não-governamentais (ONG) que distribuem alimentos em escolas e hospitais, mas chega também a cerca de 30 supermercados de Manhiça e Maputo.

Atualmente dispõe de uma gama de quatro produtos (farinha de banana com castanha, integral, simples e biscoitos), mas Filomena continua a tentar inovar.

“Podemos fazer tudo com a farinha, de bolos a esparguete”, garante, acrescentando que esta experiência já foi feita em Itália, com bons resultados.

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