Trump não quer que a Fed suba os juros. Wall Street também não

A expectativa de que a Fed anuncie, na quarta-feira, uma subida das taxas de juro, está a castigar a praça norte-americana. Os três principais índices abriram, por isso, em terreno negativo.

O início da semana em Wall Street está a ser marcado pelo receio dos investidores, um sentimento que está a ser acompanhado até por Donald Trump. Isto porque a Reserva Federal norte-americana deverá anunciar, na quarta-feira, uma nova subida das taxas de juro (a quarta deste ano), o que poderá fazer desacelerar a economia.

Na abertura da sessão desta segunda-feira, o índice de referência, o S&P 500, está a recuar 0,35% para 2.590,75 pontos. Também o industrial Dow Jones e o tecnológico Nasdaq estão no vermelho: descem 0,47% para 23.986,83 pontos e 0,35% para 6.886,46 pontos, respetivamente.

A pesar sobre as praças norte-americanas está o receio de que a Reserva Federal norte-americana suba, pela quarta vez, as taxas de juro, o que poderá ter um impacto negativo na economia. A decisão deverá ser anunciada na quarta-feira, depois da reunião de dois dias deste organismo.“A decisão da Fed de quarta-feira é um dos eventos que pode sacudir os mercados”, sublinha, deste modo, o analista Craig Erlam, citado pela Reuters.

A acompanhar este receio dos investidores, o presidente dos Estados Unidos pediu, esta segunda-feira, ao banco central norte-americano que não aumente as taxas de juro. “É incrível que com um dólar muito forte e praticamente sem inflação, com o mundo a explodir à nossa volta, Paris a arder e a China em queda, a Fed esteja sequer a considerar mais uma subida de juros”, escreveu Donald Trump, no Twitter.

O político rompeu, assim, mais uma vez a tradição de respeito pela independência da Fed, criticando as suas decisões, que têm vindo a fazer subir as taxas de juro, aumentando o custo do crédito ao consumo. De notar que essas subidas fortalecem o dólar, neutralizando as metas de redução do défice comercial do governo Trump, ao tornar mais baratas as importações e mais caras as exportações dos produtos norte-americanos.

Além disso, a confiança dos investidores está também a ser afetada pelas preocupações geradas em torno das conversações entre Pequim e Washington sobre a sua relação comercial. As duas potências decidiram suspender a guerra comercial por 90 dias, período durante o qual estão a negociar os termos das suas trocas comerciais.

“A caminho da época festiva, é expectável que o volume de negociação seja significativamente inferior, o que pode tornar as coisas bem mais interessantes, já que é provável que não seja um período tão calmo como costuma ser”, acrescenta ainda Erlam.

Também em terreno negativo, estão as ações da Johnson & Johnson, que recuam 3,48% para 128,17 dólares. Tal desempenho é explicado pela revelação de que esta empresa soube, durante décadas, de que o seu famoso pó talco continha amianto.

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