Empresas estrangeiras veem menos obstáculos no investimento em Portugal do que as nacionais

Com base em dados do BEI, o Banco de Portugal analisou a leitura que as empresas fazem sobre investir em Portugal, consoante o seu capital é nacional ou estrangeiro.

As empresas estrangeiras que estão em Portugal relatam menos obstáculos ao investimento do que as empresas domésticas. A conclusão consta de uma análise do Banco de Portugal, que acompanha o Boletim Económico divulgado esta terça-feira, e que parte de uma base de dados do Banco Europeu de Investimento (BEI) para os anos de 2016, 2017 e 2018.

O inquérito feito pelo BEI abrangeu um total de 480, 525 e 535 empresas em cada um dos anos analisados. E analisa alguns obstáculos ao investimento para o longo prazo.

Uma das principais conclusões é que quando querem investir, as empresas de capital estrangeiro em Portugal (ou seja, as que têm mais de 50% de capital estrangeiro) veem menos entraves, quando se compara esta diferença de comportamento na média da União Europeia.

Por exemplo, um dos obstáculos observados no inquérito é a incerteza sobre o futuro. Neste ponto, 49,54% das empresas em Portugal consideram que este é um entrave ao investimento. Ao passo que na média da UE uma percentagem menor, de 34,87% olham para este aspeto como um obstáculo na hora de investir.

No entanto, quando se desagrega as empresas pelo tipo de capital, ou seja, entre doméstico e estrangeiro, as diferenças são grandes. Em Portugal, as empresas de capital estrangeiro responderam menos 17,52 pontos percentuais dos que as de capital nacional que a incerteza sobre o futuro é um obstáculo ao investimento. Esta diferença baixa para 7,11% pontos percentuais quando se olha para a média da UE.

Este é aliás o obstáculo onde a diferença entre o tipo de capital é maior dentro de Portugal. No entanto, as empresas nacionais identificam como principal entrave ao investimento os custos da energia, com 50,43% das empresas a apontar para este fator. Porém, o capital da empresas não tem tanto influência, já que as de capital estrangeiro responderam menos 5,11 pontos percentuais do que as de capital nacional que os custos da energia são um obstáculo.

O mesmo inquérito permite ainda concluir que as empresas de capitais domésticos são mais dependentes de financiamento bancário do que as de capital estrangeiro.

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