Hub do Beato vai custar 20 milhões a Lisboa. Web Summit apenas três

Autarquia lisboeta vai investir, em 2019, mais de 20 milhões no Hub do Beato, segundo o orçamento camarário para o próximo ano. Primeiros moradores deverão mudar-se no verão de 2019.

Hub Criativo do Beato conta com espaço de cerca de 35.000 metros quadrados.Câmara Municipal de Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa vai gastar 20,3 milhões de euros na recuperação e reabilitação do Hub Criativo do Beato em 2019. O valor consta do orçamento da autarquia para o próximo ano. O projeto, gerido desde o dia 1 pela Startup Lisboa, incubadora lisboeta, foi anunciado em 2016 e tem, desde essa altura, recebido eventos relacionados com o ecossistema empreendedor nacional e promovidos por entidades como incubadoras, aceleradoras e conferências internacionais.

As obras para a recuperação do espaço começaram há poucos meses: os primeiros a ocupar o novo espaço serão os moradores da Factory Lisbon, que contarão com 11 mil dos 35 mil metros quadrados disponíveis e cujas obras já arrancaram e deverão ficar até ao verão do próximo ano. Já da parte da autarquia, as primeiras inaugurações estão previstas para o final de 2019. O espaço da Super Bock será o primeiro, seguido do espaço Startup Lisboa e EGEAC, assim como o espaço de restauração.

“Este investimento destina-se à aquisição definitiva em propriedade plena dos edifícios da antiga Manutenção Militar, reabilitação das infraestruturas e aquisição em direito de superfície da ala norte da Manutenção Militar”, justifica fonte oficial da câmara municipal de Lisboa, ao ECO.

De acordo com o orçamento da Câmara Municipal de Lisboa para o “Eixo C – Dar força à economia”, o Hub Criativo do Beato receberá uma dotação de 20,3 milhões de euros. No que respeita ao financiamento autárquico no Web Summit, que reforçou a permanência em Portugal até 2028 e que vai exigir a Portugal um investimento de 11 milhões de euros por ano, o montante direto destinado pelo município é de três milhões de euros, proveniente do Fundo de Desenvolvimento Turístico. No entanto, também do orçamento camarário constam 15,5 milhões de investimento para o Fundo de Desenvolvimento turístico, outra das entidades que cobrirá o investimento de 11 milhões de euros por ano com a continuidade do Web Summit em Lisboa até 2028, assim como o Ministério da Economia.

Hub do Beato: o que é?

A 9 de maio de 2016, as Finanças e a Defesa Nacional cederam um espaço com cerca de 30 mil metros quadrados na freguesia do Beato, que servia de armazém militar, à Câmara Municipal para a implantação de um novo hub empreendedor e criativo na cidade. O espaço, que na altura ainda não tinha nome, seria arrendado por mais de 7,1 milhões de euros por um prazo máximo de 50 anos, e foi apresentado oficialmente pelo primeiro-ministro, António Costa, pelo presidente da câmara Fernando Medina e pelo diretor da Startup Lisboa, Miguel Fontes, a 17 de junho do mesmo ano a criativos, fazedores, políticos e jornalistas.

As projeções para a inauguração do espaço davam conta de que os planos estariam concluídos de aí a três anos. A ideia? Que o Hub Criativo do Beato fosse um dos maiores hubs criativos e empreendedores da Europa.

Depois de apresentado o master plan, o projeto que designará as funções que desempenharão os espaços que integram o hub, a ideia é que o espaço se desenvolva de forma orgânica e que possa albergar cerca de 3.000 pessoas no mesmo espaço. Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, explicava na altura que as empresas interessadas por ocupar os espaços serão responsáveis por parte da reabilitação do espaço.

“O investimento será depois compensado com uma taxa de aluguer a um custo mais vantajoso”, explica o diretor executivo da Startup Lisboa. Na assinatura do contrato entre o Governo e a câmara, António Costa sublinhou a importância do projeto. “O país só pode desenvolver-se tendo como base o conhecimento, o investimento e a inovação”. Para isso, o governo tem levado a cabo reformas assentes “nos pilares da qualificação, inovação e modernização”, de maneira a reforçar um projeto para uma “economia mais competitiva”, tais como o Simplex, que tem como objetivo diminuir as barreiras burocráticas, da iniciativa Indústria 4.0, dedicado à digitalização industrial, ou o Startup Portugal, a estratégia nacional para o empreendedorismo, apresentado na semana passada no Porto.

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