Com o inferno nas bolsas, investidores procuram o paraíso no ouro, dólar e na Alemanha

2018 acabou, mas o inferno nas bolsas continua no novo ano, levando cada vez mais investidores a procurarem abrigo para o seu dinheiro.

Os mercados acionistas deram um verdadeiro trambolhão no ano que terminou. Perdas avultadas, que atiraram as ações para mínimos, levando mesmo alguns índices, como o português, para bear market. 2018 acabou, mas o inferno nas bolsas continua no novo ano, levando cada vez mais investidores a procurarem abrigo para o seu dinheiro.

Perante as crescentes preocupações com o abrandamento da economia mundial, espoletadas pelos receios em torno da guerra comercial, as bolsas fizeram muitos investidores perderem muitos milhares de milhões de dólares, euros, ou qualquer outra divisa (especialmente os yuans, da China). Essas preocupações não acalmaram com a chegada de 2019. Veio da China a primeira má notícia do ano.

A atividade da indústria manufatureira da China contraiu-se, em dezembro e pela primeira vez em 19 meses, acompanhando a tendência registada por outros indicadores económicos do país. Um mau indicador que voltou a pintar de vermelho os ecrãs de negociação um pouco por todo o mundo. A bolsa chinesa caiu 1,15%, tendência seguida pelas praças europeias. O Stoxx 600 cai 1%. O PSI-20 perde 1,11%.

Bolsas europeias em queda. PSI-20 cai mais de 1%

São quedas atrás de quedas que estão a levar cada vez mais investidores a procurarem alternativas para os seus investimentos. Vão em busca de ativos considerados de refúgio, os chamados “safe heavens“. E não há grandes novidades nos ativos de eleição, a não ser que a bitcoin não está no cabaz — a moeda virtual afundou no ano passado e continua a perder valor, estando nos 3.799 dólares.

Um dos paraísos para os investidores está a ser o ouro. O metal precioso, que tem estado a ser “ameaçado” pelo paládio como o metal que mais brilha, regista uma valorização de 0,44% num dia marcado por quedas acentuadas nas principais bolsas mundiais. Depois de ter perdido valor no ano passado, está a valorizar para os 1.287,76 dólares.

Outra das apostas dos investidores está a ser o dólar, a moeda norte-americana. Apesar dos crescentes sinais de alerta na maior economia do mundo, o diferencial de taxas de juro da Fed para outros bancos centrais, entre eles o Banco Central Europeu, faz da nota verde um ativo valorizado pelos investidores. O euro perde 0,31% face ao dólar, estando nos 1,1425 dólares.

Além do ouro, cotado em dólares, e da própria moeda norte-americana, o euro acaba por entrar em “jogo”, evitando uma queda mais acentuada, fruto da procura por outro paraíso: a dívida alemã. As bunds estão a valorizar, atingindo máximos desde 2016, no primeiro dia sem compras do BCE (há, no entanto, o reinvestimento dos retornos gerados pelos 2,1 biliões de euros investidos em dívida pública da Zona Euro). A taxa a 10 anos está a cair para 0,186%.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Com o inferno nas bolsas, investidores procuram o paraíso no ouro, dólar e na Alemanha

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião