António Costa sobre o aeroporto do Montijo. “Esta é a decisão. Agora, há que pô-la em prática”

Governo e ANA assinaram o memorando de entendimento que define o modelo de financiamento da expansão aeroportuária de Lisboa.

O Governo e a ANA – Aeroportos de Portugal assinaram, esta terça-feira, o memorando de entendimento que define o modelo de financiamento da expansão aeroportuária de Lisboa, com a conversão da base militar do Montijo num aeroporto civil e o aumento da capacidade do Humberto Delgado. Na cerimónia de assinatura do acordo, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou a necessidade de se avançar com o projeto o mais rapidamente possível. “Esta é a decisão e, agora, há que pô-la em prática”, afirmou, perante uma plateia de várias personalidades públicas que assistiram à cerimónia.

A cerimónia contou com a presença de vários membros do Governo, incluindo o primeiro-ministro, António Costa, bem como com os administradores da ANA e os presidentes dos municípios do Montijo e de Lisboa. O acordo foi assinado, pelo lado do Governo, por Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças, e por Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, e do lado da ANA por Thierry Ligonnière, presidente executivo da concessionária dos aeroportos, e por José Luís Arnaut, presidente do conselho de administração.

A concessionária dos aeroportos nacionais vai investir um total de 1.747 milhões de euros, dos quais 1.326 milhões serão investidos já numa primeira fase e os restantes 421 milhões ao longo de todo o período de concessão, até 2062. Do montante total a investir na primeira fase, a maior fatia (650 milhões) será destinada ao aeroporto Humberto Delgado, onde a ANA vai triplicar o ritmo de investimentos que irá fazer até 2028. Para o Montijo, está previsto investir um total de 520 milhões de euros, para além de outros 160 milhões em investimentos complementares, onde se incluem acessibilidades e Força Aérea.

O projeto de investimento vai permitir praticamente duplicar a capacidade do aeroporto de Lisboa, que atualmente opera 38 movimentos por hora e tem 60 lugares de estacionamento, num total de 29 milhões de passageiros. Com o Montijo, passará a operar 72 movimentos por hora e terá 89 lugares de estacionamento, com o objetivo de ultrapassar os 50 milhões de passageiros.

As metas foram salientadas pelos governantes presentes, que destacam o impacto económico que este projeto terá. “Este acordo permite que avancem, desde já, os investimentos necessários que permitem que o aeroporto Humberto Delgado continue a crescer já em 2019 e nos anos seguintes, para ultrapassar a cifra dos 30 milhões de passageiros, talvez já este ano”, antecipou o ministro Pedro Marques. “Os atrasos nas viagens têm já consequências económicas que não poderíamos negligenciar. Precisamos deste acordo para que avancem os investimentos nas saídas rápidas, no estacionamento ou até no terminal de passageiros”, acrescentou, voltando a sublinhar os 10 mil postos de trabalho diretos e indiretos que o novo aeroporto vai permitir criar na Península de Setúbal. “É um número superior à Autoeuropa”.

Em Portugal, discute-se muito o custo de cada decisão, mas há um custo imenso da não decisão, que, neste caso, se traduziu naquilo que é a asfixia do aeroporto da Portela e na dificuldade do país em suportar o desenvolvimento económico.

António Costa

Primeiro-ministro

Também António Costa falou sobre a concretização deste projeto, depois de, há 50 anos, ter sido constituído o primeiro gabinete para o estudo do novo aeroporto de Lisboa. “Em Portugal, discute-se muito o custo de cada decisão, mas há um custo imenso da não decisão, que, neste caso, se traduziu naquilo que é a asfixia do aeroporto da Portela e na dificuldade do país em suportar o desenvolvimento económico. E terá um custo de aguardarmos até 2022 para podermos estar aqui para assistirmos à inauguração do aeroporto do Montijo”, afirmou.

O primeiro-ministro direcionou ainda uma palavra aos que criticam esta decisão, para deixar claro que esta é a solução que vai avançar. “Em cada uma destas decisões, o debate tende a repetir-se de forma insaciável. Tenho a certeza que, depois deste acordo assinado, o debate continuará sobre se a decisão foi certa ou errada. Não discuto mais se a decisão é certa ou errada. Esta é a decisão e, agora, há que pô-la em prática”.

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