Brexit chumbou. E a libra sobe? Às vezes a incerteza é boa

Incerteza é sempre vista como uma inimiga dos investidores, mas desta vez não está a ser assim. No meio do caos, a moeda britânica valoriza. Está em máximos contra o euro.

Nos mercados de capitais, a incerteza é sempre vista como uma inimiga dos investidores. Quem investe, quer transparência, previsibilidade, fugindo de tudo o que possa “turvar as águas”. Então, porque é que no meio do caos político no Reino Unido, provocado pelo chumbo do acordo do Brexit na Câmara dos Comuns, a libra valoriza?

A moeda britânica tem vindo a perder valor face às principais divisas mundiais desde que o cenário de saída do Reino Unido da União Europeia começou a ganhar forma. Tanto que chegou a aproximar-se da paridade face ao euro, tais os receios dos investidores quanto ao impacto económico que tal decisão terá na economia britânica.

Depois de muitas quedas, a divisa estabilizou em torno dos 1,15 euros (uma libra permite comprar 1,15 euros). Chegados ao dia da votação final do acordo que Theresa May negociou com a UE, a moeda voltou às fortes quedas. A libra chegou a perder mais de 1% nos mercados, com os investidores a assumirem que o Brexit ia mesmo acontecer. Mas não aconteceu.

De uma queda abrupta, a moeda rapidamente voltou aos ganhos. Uma viragem repentina nos instantes que se seguiram à pesada derrota de May no Parlamento britânico, seguida da apresentação de uma moção de censura por parte do partido da oposição. Foi Jeremy Corbyn que instantaneamente lançou a moção que põe May em xeque.

Libra acelera. Está em máximo de dois meses contra o euro

A valorização da moeda continua (ganha 0,12%, para 1,1279 euros), contrariando o que acontece no mercado acionista britânico, que está sob pressão vendedora fruto da indefinição criada. Está em máximos de dois meses em resultado da crença dos investidores de que o chumbo do acordo do Brexit resulte, em última análise, num prolongar do processo de saída da UE.

Apesar dos alertas de vários responsáveis europeus quanto à crescente possibilidade de uma saída desordeira do Reino Unido da UE, ninguém parece acreditar que isso aconteça, mesmo com este chumbo. A perspetiva é de que algum tipo de acordo acabará por ser encontrado, talvez até melhor para o Reino Unido do que o atual. Ou mesmo que o Brexit acabe por não existir de todo.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Brexit chumbou. E a libra sobe? Às vezes a incerteza é boa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião