Petrolíferas norte-americanas preparam-se para desacelerar crescimento

Após a Administração de Informação de Energia dos EUA ter publicado estimativas de menor produção em fevereiro, os empresários afirmaram em Davos que estão mais focados nos rendimentos que em crescer.

A produção de petróleo norte-americano poderá desacelerar nos próximos meses. Depois de a expectativa ter sido expressa pela Administração de Informação de Energia norte-americana (EIA, na sigla em inglês), os patrões do setor confirmaram a possibilidade, no Fórum Económico Mundial, esta quarta-feira, na cidade suíça de Davos.

Os presidentes da petrolíferas norte-americanas Occidental Petroleum e Hess Corp afirmaram que os investidores no país querem uma redução do crescimento e maiores retornos, em declarações citadas pela agência Reuters.

Desde 2017 que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros aliados como a Rússia têm levado a cabo um plano de cortes de produção para suportar uma subida gradual dos preços. No entanto, os produtores nos EUA (país que está fora do acordo) aproveitaram para aumentar a oferta. Assim, os EUA ultrapassaram a Rússia e a Arábia Saudita, tornando-se o maior produtor de petróleo do mundo, com uma oferta diária de quase 12 milhões de barris.

As projeções da OPEP têm constantemente subestimado o crescimento da produção, mas a tendência poderá alterar-se. A estimativa da EIA é que a produção de petróleo de xisto aumente 62 mil barris por dia em fevereiro, face ao mês anterior, de acordo com o relatório mensal publicado esta terça-feira. A concretizar-se, será o menor aumento desde maio de 2018.

“Penso que não haverá tanto dinheiro a entrar na Bacia do Permiano [um importante campo de exploração nos EUA]. Acredito que os investidores irão responsabilizar as empresas pelos retornos, coisa que não aconteceu anteriormente”, disse Vicki Hollub, presidente executivo da Occidental, citado pela Reuters. O CEO da Hess Corp, John Hess, concordou e acrescentou: “O petróleo de xisto não é a próxima Arábia Saudita. Tem uma importante componente de ciclo curto”.

Apesar das perspetivas otimistas, o petróleo continua a ser penalizado pelos receios de desaceleração do crescimento económico global. Após ter negociado brevemente no verde ao longo desta quarta-feira, regressou à tendência negativa das últimas duas sessões. O crude WTI negociado em Nova Iorque desvaloriza 0,87% para 52,55 dólares e o brent negociado em Londres perde 0,85% para 60,98 dólares.

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