CIP diz que Governo tem responsabilidade no aumento da contestação social

  • Lusa
  • 31 Janeiro 2019

António Saraiva, presidente da CIP acusou o Governo de ter responsabilidade sobre o aumento da conflitualidade social por ter prometido o que não podia cumprir.

O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, acusou hoje o Governo de ter responsabilidade sobre o aumento da conflitualidade social por ter prometido o que não podia cumprir.

O responsável falava aos jornalistas após uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, que esta tarde está a ouvir as preocupações dos parceiros sociais.

António Saraiva disse que vê “com alguma preocupação” o aumento da conflitualidade social em Portugal, sublinhando que os problemas devem ser ultrapassados em “diálogo social”.

“Este crescente aumento de tensões em várias áreas preocupa-nos”, disse o presidente da CIP, acrescentando que “há aqui uma responsabilidade do atual Governo, porque quando se promete tudo a todos e acaba por se dar alguma coisa a alguns, as expectativas elevadas que se criaram e a falta de resposta a essas expectativas” leva a que tenha de haver “cuidados acrescidos na gestão dos temas”.

Só podemos prometer tudo a todos se tivermos condições de satisfazer essas promessas”, defendeu António Saraiva.

Para o presidente da CIP, é preciso “sensatez para perceber aquilo que é possível, não prometendo o que não se pode cumprir e não exigindo aquilo que é impossível de obter”.

“Se os recursos do país não chegam para essas exigências e se aí somarmos que as exigências são demasiado elevadas […] é o país que não consegue aguentar e os nossos impostos já não pagam as loucuras do passado”, reforçou o dirigente associativo.

O presidente da CIP disse ainda que levou para a reunião com o Presidente um conjunto de preocupações das empresas, entre as quais os efeitos do ‘Brexit’ para a economia portuguesa, nomeadamente para as exportações.

Segundo adiantou, na maioria dos setores que representa “ainda não se sentem grandes perturbações” devido ao ‘Brexit’, mas no caso do turismo “já se sente abrandamento”.

Além disso, lembrou que a CIP tem alertado para a necessidade de se reforçarem os recursos humanos nos postos fronteiriços para que as empresas possam escoar os seus produtos.

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