BPI recebe 64 milhões de Angola. Por “prudência”, BFA passa a investimento financeiro

O banco fez alteração contabilística que -- garante -- é "prudente", mas "não muda na relação com o BFA". A partir deste ano, em vez de ter acesso a 48% dos lucros, o BPI recebe apenas os dividendos.

O Banco de Fomento de Angola (BFA) entregou ao BPI, no ano passado, um total de 64 milhões de euros em dividendos referentes aos exercícios de 2016 e 2017. Em processo de redução da participação no banco angolano (de que detém atualmente 48%), o BPI decidiu fazer mudanças “prudentes” que alteram a contabilidade dos lucros do BFA.

“Em dividendos da operação em Angola já recebemos 64 milhões de euros de 2016 e 2017”, afirmou Pablo Forero, CEO do BPI, na conferência de imprensa de apresentação de resultados. O lucro consolidado do banco atingiu os 491 milhões de euros em 2018, o que compara com 10,2 milhões de euros em 2017. Angola contribuiu positivamente para este resultado com 73,2 milhões de euros, enquanto no ano anterior o contributo tinha sido negativo em 119,5 milhões de euros.

As contas do banco indicam que o contributo do BFA incorpora um impacto negativo de 139 milhões de euros decorrente da alteração da classificação contabilística da participação financeira do BPI no BFA, que deixa de ser considerada “empresa associada”, consolidada por equivalência patrimonial, para passar a ser classificada como um investimento financeiro, em “ações ao justo valor por outro rendimento integral”.

Na prática, em vez de receber logo 48% dos lucros do BFA e depois ficar sujeito a ajustamentos na remuneração, o BPI passa a esperar que o banco angolano decida sobre os dividendos e recebe, mais tarde, esse montante. O resultado líquido do BPI passará a refletir apenas os dividendos do BFA atribuídos ao BPI e não os lucros apropriados, como até agora. “A decisão foi do BPI e os auditores concordaram que era o mais prudente”, disse o CEO. “Protege-nos contra a volatilidade”.

Sobre a saída do capital do banco angolano, Pablo Forero explicou que “os planos continuam os mesmos”. “Temos uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE) de reduzir a participação no BFA e continuamos a trabalhar nisso. Não posso dar uma data porque é difícil de prever, mas continuamos a trabalhar. Se vai acontecer em 2019? É impossível de dizer. Estas coisas demoram muito tempo”, disse o CEO do BPI.

O supervisor europeu obrigou o BPI a alienar 2% da posição no BFA (para os atuais 48,1%) por considerar que a exposição do banco a Angola era demasiado elevado. Pablo Forero chegou a admitir, em abril do ano passado, que o BPI poderá mesmo abandonar Angolana, colocando o BFA em bolsa.

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