Jordi Gual, presidente do CaixaBank: Redução da participação do BPI no BFA é “adequada”

  • Ana Batalha Oliveira
  • 2 Fevereiro 2018

"Existe um compromisso com o Banco Central Europeu", justifica o presidente do CaixaBank, Jordi Gual, durante a apresentação de resultados do banco espanhol.

O presidente do CaixaBank, Jordi Gual, considera a decisão do BPI de reduzir a participação no Banco de Fomento de Angola (BFA), que impactou pesadamente os resultados do BPI, uma “política adequada”. Na apresentação de resultados do CaixaBank, pela segunda vez na sede em Valência — antes, situada na Catalunha — o CEO destaca que “o BPI é responsável por um quarto do crescimento nos lucros do CaixaBank“, que subiram 61%, diz Gonzalo Gortázar.

“Existe um compromisso com o Banco Central Europeu” para a redução da exposição do banco português ao sistema financeiro angolano, notou o presidente do CaixaBank, acrescentando que, neste sentido, tanto a redução já realizada como o objetivo admitido por Pablo Forero de continuar a desfazer-se do capital do banco é “uma política adequada”. “O objetivo é reduzir a participação mas não temos prazos para o fazer. Com tranquilidade vamos buscar melhor a saída para o BPI, para o BFA”, acrescentou Gonzalo Gortázar.

“Quero recordar que [o BFA] é um banco extremamente rentável independentemente da situação de Angola”, observou Jordi Gual. O BPI reduziu a sua participação no capital do BFA em 2%, desinvestimento que custou ao banco português 320 milhões de euros, ditando a quebra de 97,7% nos lucros para pouco mais de dez milhões.

Confiamos que o BPI continue a melhorar os resultados aproveitando as sinergias“, disse o CEO durante a apresentação das contas de 2017. O CaixaBank, que detém uma participação de 84,5% no banco português, alcançou lucros de 1,6 mil milhões de euros. Estes resultados foram “os melhores de sempre”, refere a instituição, destacando a evolução positiva do banco português “à medida que se consolidam as sinergias”. “O BPI é responsável por um quarto do crescimento nos lucros do CaixaBank”, realçou Gonzalo Gortázar.

Sair da Catalunha foi “decisão difícil, mas acertada”

No que toca à instabilidade política vivida na Catalunha, que levou o CaixaBank a mudar a sua sede fiscal e jurídica para Valência, Jordi Gual afirma que esta foi uma “decisão difícil, mas acertada”. Embora compreenda que “podem haver clientes aos quais esta decisão desagradou do ponto de vista emocional”, o presidente sublinha que “uma entidade financeira está obrigada a, em todos os momentos, garantir aos clientes e acionistas a continuidade do negócio e a liquidez”, responsabilidade que também passa pela manutenção da relação com o Banco Central Europeu.

Gonzalo Gortázar afirma que “o mais importante é que a situação atual é de absoluta normalidade, tanto para os clientes que têm contas na Catalunha como em qualquer outra região”, e acrescenta que o banco que lidera é “a entidade que mais subscrições recebeu no mês de janeiro”. A resposta às dificuldades é homogénea por todo o país. “Trabalhamos no dia-a-dia no negócio corrente”, diz Gotázar.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Jordi Gual, presidente do CaixaBank: Redução da participação do BPI no BFA é “adequada”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião