BPI contribui com 103 milhões para lucros recorde do CaixaBank

  • Juliana Nogueira Santos e Lusa
  • 24 Outubro 2017

Os resultados do banco espanhol relativamente ao terceiro trimestre do ano mostram um aumento de 48,7% nos lucros e uma contribuição de 103 milhões de euros do BPI.

O banco espanhol CaixaBank registou, no terceiro trimestre de 2017, lucros recorde de 649 milhões de euros com uma grande fatia destes a vir de território português. O BPI contribuiu com 103 milhões de euros neste trimestre, sendo que, desde a sua integração em fevereiro, já rendeu 180 milhões ao banco espanhol. O presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, manifestou-se “muito satisfeito” com a evolução “muito positiva” do banco português.

Comparando com o trimestre anterior, os lucros do banco avançaram 48,7%, sendo que, o agregado dos nove primeiros meses deste ano ascende aos 1,488 mil milhões de euros. Este aumento de 53,4% relativamente ao mesmo período do ano passado é considerado “o melhor resultado da história do grupo”.

O papel do BPI é sublinhado pelo grupo espanhol, na medida em que contribuiu com lucros de 103 milhões de euros no terceiro trimestre. A sua “grande capacidade de gerar receitas” e “intensa atividade comercial” são apontadas pelo banco como os principais fatores a pesarem nas contas do banco.

“Conseguimos que, num momento de mudança [de acionistas], o banco [BPI] não tenha parado, mas sim mantido e acelerado o seu crescimento”, disse Gonzalo Gortázar na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do terceiro trimestre de 2017 do CaixaBank.

"A evolução desde setembro ficou marcada pela consolidação da integração global dos resultados do BPI desde fevereiro, que afeta os principais rubricas do relatório de contas, e pela intensa atividade comercial da entidade.”

CaixaBank

“A evolução desde setembro ficou marcada pela consolidação da integração global dos resultados do BPI desde fevereiro, que afeta os principais rubricas do relatório de contas, e pela intensa atividade comercial da entidade”, pode ler-se no comunicado à imprensa. “Esta força comercial permite uma grande capacidade de gerar receitas, com 6.491 milhões de margem bruta”.

O CaixaBank mantém assim a liderança no mercado espanhol, com uma quota de penetração de 26,7%. Os setores da banca online e da banca móvel também seguem com a entidade liderada por Jordi Gual na dianteira.

O banco espanhol foi uma das empresas a abandonar a Catalunha após o referendo separatista do mês passado, tendo transferido a sua sede social para Valência. Ainda assim, a tensão social e política sentida na região já levou o CaixaBank a perder seis mil milhões de euros em depósitos, valores que se poderão refletir nos resultados do último trimestre do ano.

Mudança para Valência é definitiva

O presidente executivo do CaixaBank, garantiu esta terça-feira que a mudança da sede social de Barcelona para Valência devido à instabilidade política na Catalunha é definitiva, por razões “exclusivamente técnicas e para proteger o interesse dos clientes”.

“Se o Conselho [de Administração] tivesse querido dizer que a mudança era temporária tê-lo-ia dito, e não disse nada a esse respeito”, afirmou o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, em conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2017, que se realizou, pela primeira vez, em Valência.

"Mantenho a quase totalidade da minha conta [bancária] pessoal em Barcelona e não penso mudá-la para Valência ou Madrid.”

Gonzalo Gortázar

Presidente executivo do CaixaBank

A nova sede social e fiscal em Valência implica que o banco passa a realizar nesta cidade as reuniões ordinárias do Conselho de Administração, assim como as assembleias gerais de acionistas e a apresentação de resultados. Os serviços centrais do grupo mantêm-se em Barcelona e não se prevê “outro tipo de mudanças com relevância operacional”. “Mantenho a quase totalidade da minha conta [bancária] pessoal em Barcelona e não penso mudá-la para Valência ou Madrid”, confidenciou Gonzalo Gortázar.

O presidente executivo admite que o boicote pedido por algumas forças separatistas contra as empresas que mudaram a sua sede para fora da Catalunha “não ajuda, principalmente por causa da convivência” entre pessoas, na região.

(Notícia atualizada às 12h10 com mais informação.)

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