BPI vende seguros e gestão de ativos ao CaixaBank. Encaixa mais de 200 milhões de euros

  • Rita Atalaia
  • 23 Novembro 2017

O banco liderado por Pablo Forero vendeu as unidades de seguros, gestão de ativos e também de research ao seu maior acionista, o CaixaBank.

O banco liderado por Pablo Forero vendeu as unidades de seguros, gestão de ativos e também de research ao seu maior acionista, o CaixaBank. A operação foi feita por um valor de mais de 200 milhões de euros, sendo que a mais-valia será de 73 milhões antes de impostos. Uma venda que permitirá reforçar os rácios de capital da instituição.

Num comunicado enviado à CMVM, o BPI comunica que, “na sequência de propostas de aquisição que lhe foram apresentadas pelo seu acionista Caixabank e da aprovação por parte do seu conselho de administração e do CaixaBank”, o banco liderado por Pablo Forero decidiu vender a totalidade do capital social da sociedade BPI Vida e Pensões, Companhia de Seguros, numa operação avaliada em 135 milhões de euros.

Para além disso, a instituição financeira avançou com a alienação das sociedades BPI Gestão de Activos, Sociedade Gestora de Fundos de Investimento por 75 milhões. Já o BPI Global Investment Fund Management Company foi vendido por oito milhões de euros. As duas sociedades são responsáveis pelas atividades de gestão de fundos de investimento do grupo.

O conselho de administração do Banco BPI aprovou as transacções acima descritas com os objectivos de melhorar, a médio e longo prazo, a oferta comercial aos seus clientes, de criar sinergias com o Grupo CaixaBank e de concentrar o Banco BPI na actividade bancária.

BPI

Mas não só. A unidade de research também foi vendida por cerca de quatro milhões de euros. “Foi hoje também assinado um contrato prevendo a alienação por parte do BPI (…) das posições jurídicas que se consubstanciam e são utilizadas nas atividades de corretagem de ações, research e corporate finance“, lê-se no comunicado.

Ao todo, o BPI encaixou 222 milhões com a venda de ativos ao CaixaBank, sendo o objetivo, diz o banco, o de “de melhorar, a médio e longo prazo, a oferta comercial aos seus clientes, de criar sinergias com o Grupo CaixaBank e de concentrar o Banco BPI na atividade bancária”. Mas também de reforçar os rácios de capital.

Mais-valia de 73 milhões reforça rácios

Esta operação traduz-se numa mais-valia de 73 milhões, antes de impostos, para o BPI. Um ganho que vai permitir melhorar os rácios de capital do banco. Segundo o comunicado, permitirá um aumento do rácio CET1, totalmente implementado, de cerca de 130 pontos base.

Por isso, segundo as previsões do BPI, o rácio total deverá passar de 13,3% para 14,6%, enquanto o CET1 será de 12,8%, em vez dos atuais 11,5%.

Negócios ficam em Portugal

As unidades foram vendidas ao acionista espanhol, mas não vão ter de se mudar geograficamente. O BPI explica que as “transação em apreço não envolverão a deslocalização das atividades nelas envolvidas nem a transferência de colaboradores do Banco BPI ou das sociedades do seu grupo”. No caso das unidades de seguros e gestão de ativos, estas “continuarão a desenvolver a sua atividade em Portugal e no Luxemburgo, como até aqui”.

"As transações em apreço não envolverão a deslocalização das atividades nelas envolvidas nem a transferência de colaboradores do Banco BPI ou das sociedades do seu grupo.”

BPI

Não haverá também qualquer alteração aos contratos. “As transações em apreço não envolvem qualquer modificação dos contratos de distribuição de seguros celebrados entre o Grupo BPI e a Allianz Portugal”.

No caso do research, “o CaixaBank tem previsto constituir uma sucursal em Portugal, para onde serão transferidos os colaboradores do Banco Português de Investimento afectos a essas actividades”.

(Notícia atualizada às 19h07)

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