BPI vendeu carteira de 400 milhões de euros em malparado em novembro. Prepara novas vendas este ano

Pablo Forero quer continuar a "limpar" o balanço. A cobertura de malparado ajuda neste processo, não comprometendo os resultados. Os lucros chegaram perto do 500 milhões, mas dividendos esperam o BCE.

O BPI vendeu 400 milhões de euros, em carteiras de crédito em incumprimento, em novembro do ano passado. Na apresentação de resultados do banco, o CEO Pablo Forero explicou que houve outras alienações de malparado ao longo de 2018, mas esta foi a de montante mais significativo. Para 2019, prevê manter a estratégia.

“A venda de crédito malparado mais relevante aconteceu em novembro, no valor de 400 milhões de euros. E tivemos um lucro de 17 milhões“, afirmou Forero durante a conferência de resultados de 2018. “A nossa ideia é fazer novas vendas de malparado este ano. Demora tempo, mas faremos outras em 2019”.

As imparidades positivas ultrapassaram as negativas em oito milhões. Do total provisionado no ano passado, 37 milhões de euros que tinham sido dados como perdidos foram recuperados judicialmente, refere o banco, salientando que a cobertura de non-perming exposures (NPE) diminuiu 1,6 pontos percentuais no ano passado, mas para 127%. É o melhor rácio em Portugal e dos melhores da Península Ibérica”, defendeu o CEO.

Lucros disparam. E dividendos?

O BPI obteve lucros de 491 milhões de euros no ano passado, depois dos 10,2 milhões que tinham sido registados em 2017. A justificar este resultado estão as vendas de participações que foram feitas no ano passado, que renderam mais de 190 milhões ao banco liderado por Pablo Forero, de acordo com dados divulgados, esta sexta-feira, em comunicado enviado à CMVM.

Em termos consolidados, o BPI registou um lucro de 490,6 milhões de euros, que compara com o resultado de 10,2 milhões no exercício de 2017. A atividade em Portugal contribuiu com 396,3 milhões de euros (81% do total) para o resultado consolidado. O lucro líquido recorrente da atividade em Portugal cresceu 28,5% para 218 milhões de euros. Até 2021, o banco quer aumentar o lucro da atividade em Portugal em 11%.

Quanto às atividades no país, os depósitos aumentaram 9,3% em 2018, apesar de uma diminuição nos depósitos institucionais porque “custam dinheiro e penalizam os rácios de liquidez”, como explicou Pablo Forero. O financiamento a empresas e famílias em Portugal cresceu 7% para 1.136 milhões de euros, em comparação com o ano anterior. A margem financeira subiu 8,8% para 422,6 milhões de euros e as comissões líquidas 5,6% para 277,8 milhões de euros.

Quanto a dividendos, Pablo Forero explicou que o banco está à espera de saber quais os requisitos mínimos de capital exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE) antes de propor à administração qual a remuneração que será entregue ao único acionista, o espanhol CaixaBank.

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