Grupo Nabeiro quer construir nova fábrica em Angola

  • Lusa
  • 4 Março 2019

Líder no mercado do café em Portugal e já com a AngoNabeiro no mercado angolano, Rui Nabeiro diz que "a ideia é fazer uma nova fábrica".

O empresário Rui Nabeiro, com negócios em Angola desde antes da independência, disse à Lusa, que o seu grupo empresarial, já com uma empresa naquele mercado, quer avançar com a construção de uma nova fábrica de café no país.

“Em Angola queremos estar no mundo do café verde e a trabalhar na sua valorização como produto”, afirmou o empresário em entrevista à Lusa, a propósito da visita do Presidente da República de Portugal aquele país, que começa a 5 de março.

Para isso, explicou Rui Nabeiro, fundador do Grupo Nabeiro, líder no mercado do café em Portugal e já com a AngoNabeiro no mercado angolano, “a ideia é fazer uma nova fábrica”, porque para valorizar o café de Angola, de “grande qualidade e muito desejado no mundo”, é necessário esse investimento.

“Isso não dá para fazer na unidade que temos atualmente em Angola”, acrescentou.

O projeto da nova fábrica “já está no portefólio do grupo, para que este possa responder” quando Angola começar a produzir mais café, acrescentou.

Neste momento, aquele país “ainda produz pouco”, sublinhou o empresário.

Quanto à localização para a nova unidade industrial e valores de investimento, Rui Nabeiro diz que não pode avançar com nada neste momento, porque o projeto “precisa de se desenvolver”.

Por enquanto, tem uma certeza: “Vai avançar, isso vai. Quando vai ser, ainda não lhe posso dizer, temos que saber no nosso investimento com o que podemos e não contar. Agora, para criarmos o café verde como um produto que é realmente valioso temos, e é aconselhável, criarmos uma planta que possa, além da fábrica já existente, servir para nós próprios e para o mercado externo”, adiantou.

"Iremos fazer uma empresa que prepare bem os cafés e dê apoio à agricultura, aos fazendeiros, a quem realmente está no campo. Nós não queremos ocupar esse espaço, de forma nenhuma. Nós queremos ocupar o espaço da comercialização e da industrialização”

Rui Nabeiro

Fundador do Grupo Nabeiro

Em Angola, “estamos na perspetiva, face à evolução que o país está a dar neste momento com o novo governo, de renascer o café de Angola. Porque Angola tem café, mas é pouco café, e estou convencido que levando pessoas ao campo, à província, ao interior, o que vai realmente acontecer”, a produção vai aumentar, sublinhou.

Quando isso acontecer, o grupo Nabeiro, líder no mercado dos cafés em Portugal, está preparado para investir milhões.

“Estamos preparados para investir em milhões, porque precisamos de ter máquinas em condições para ser competitivos no mercado internacional, que tem tido nos cafés uma evolução enorme, e para se fazer um bom trabalho com o café de Angola, um café muito desejado em todo o mundo, por ser muito saudável, com muita qualidade”, afirmou em entrevista a Lusa.

Por isso, “iremos fazer uma empresa que prepare bem os cafés e dê apoio à agricultura, aos fazendeiros, a quem realmente está no campo. Nós não queremos ocupar esse espaço, de forma nenhuma. Nós queremos ocupar o espaço da comercialização e da industrialização, para que esse produto tenha uma evolução, que o mercado de Angola neste momento não tem bons cafés, cafés lavados, cafés polidos e que saiam dali selecionados pelo seu tipo de café”.

O que o grupo está a fazer, diz o empresário, é “a prever o futuro, porque Angola ainda não permite uma fábrica a sério, mas temos uma marca, que também tem estado a ser vendida em mercados vizinhos, que neste momento ainda não têm um grande poder de compra, mas que sabemos que as coisas em África tendem a melhorar. Tenho a certeza absoluta”.

Para Rui Nabeiro, com 86 anos, o futuro “é amanhã”.

Assim, “tenho a família toda preparada com ambição” para aquele mercado, até porque Angola “foi sempre o ponto de partida para nós”, disse.

Angola já foi o quarto maior produtor mundial de café, com 200 mil toneladas anuais, antes de 1975. Essa produção está hoje reduzida a menos de 5%, fruto do abandono do cultivo durante a guerra civil angolana que se seguiu à independência.

As empresas do setor estimam que o país produz atualmente cerca de 3.000 toneladas de café – embora números oficiais apontem para 15.000 – e só a Angonabeiro comprou em 2014, a cerca de 20.000 produtores de várias províncias angolanas, 800 toneladas, o maior registo até então. No ano anterior conseguiu adquirir 600 toneladas e em 2012 apenas 500.

A Angonabeiro anunciou em 2015 o investimento de um milhão de dólares (900 mil euros) na aquisição da totalidade do capital da empresa pública angolana de produção de café Liangol, cuja gestão já assegurava há 14 anos.

Desde 2001 que a empresa do grupo português assumia a gestão da fábrica da Liangol, depois de garantir também a sua reabilitação e modernização, tendo em conta que estava desativada desde 1984.

A empresa ocupa uma área de quatro hectares, com uma zona de armazenamento, torra e embalagem de café, onde o grupo Nabeiro assegura a produção e comercialização de 250 toneladas do café da marca própria Ginga, que lidera destacada as vendas em Angola.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Grupo Nabeiro quer construir nova fábrica em Angola

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião