Mortágua acusa Costa de “chutar” responsabilidades para BdP e Passos Coelho no Novo Banco

António Costa sugeriu uma comissão de inquérito à atuação do Banco de Portugal no Novo Banco. Bloco de Esquerda avisa que "o que está em causa é a venda" do NB ao Lone Star feita pelo atual Governo.

“O Governo não pode chutar para o Banco de Portugal e para o anterior Governo todas as responsabilidades”, diz Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, ao ECO, numa reação à sugestão do primeiro-ministro para que seja criada uma comissão parlamentar de inquérito que aprecie a atuação do Banco de Portugal no Novo Banco.

O Novo Banco apresentou na sexta-feira prejuízos de 1.412 milhões de euros e um pedido de injeção de capital público (do Fundo de Resolução e do Tesouro) de 1.149 milhões de euros. O Ministério das Finanças defendeu uma auditoria ao processo de concessão de créditos incluídos no mecanismo de capital contingente. Ou seja, ao passado do banco. O primeiro-ministro sugeriu esta quinta-feira uma comissão de inquérito à atuação do Banco de Portugal no Novo Banco.

Mas o Bloco não parece alinhar nesta proposta. “Há muito que questionamos o Banco de Portugal e que defendemos o seu escrutínio, o que pode começar pelo acesso à auditoria interna no âmbito do caso BES”, diz a deputada bloquista, acrescentando também a necessidade de conhecer o “papel do Banco de Portugal na resolução do Novo Banco”.

No entanto, Mariana Mortágua avisa que “outra coisa é a responsabilidade do Governo” na operação de venda do Novo Banco à Lone Star que envolveu uma garantia pública de 3.900 milhões de euros, que aconteceu em 2017 já com o atual Governo.

“O que está em causa é o negócio de venda do Novo Banco. O Governo não pode chutar para o Banco de Portugal e para o anterior Governo as responsabilidades”, diz, lembrando que o Bloco sempre avisou que esta venda iria dar problemas, porque o privado iria usar a garantia.

Mais: Mariana Mortágua lembra que quando o Novo Banco foi vendido a atuação do Banco de Portugal já era conhecida. “O que mudou foi a venda. No que respeita ao Banco de Portugal nada mudou”.

O Bloco tem ainda dúvidas sobre a capacidade da Assembleia de fazer mais uma comissão de inquérito quando decorre uma sobre a Caixa Geral de Depósitos e a quatro meses do fim dos trabalhos parlamentares, que fecha em julho e só reabre com o Governo que sair das eleições de 6 de outubro.

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