Banco Montepio com lucros de 12,6 milhões. Coima do Banco de Portugal penaliza resultado

O Banco Montepio teve lucros 12,6 milhões de euros em 2018, subindo 96,5% em relação a 2017. Mas resultados teriam sido o dobro sem alguns fatores não recorrentes, como a coima do Banco de Portugal.

O Banco Montepio registou lucros de 12,6 milhões de euros em 2018, que teriam sido o dobro caso não tivessem ocorrido uma série de fatores não recorrentes, como a coima de 2,5 milhões de euros recentemente aplicada pelo Banco de Portugal. Carlos Tavares decidiu provisionar essa multa nas contas do ano passado, apesar de ter anunciado que vai apresentar recurso.

Mas a multa imposta pelo supervisor bancário ao banco não foi o único fator excecional a influenciar negativamente os resultados, a saber:

  • A alienação do Banco Terra Moçambique que determinou uma redução do lucro de 3,7 milhões;
  • A venda de uma carteira de créditos em incumprimento no montante de 239 milhões (operação Atlas), que determinou a redução do lucro de 8,4 milhões;
  • O custo com a cobertura cambial de uma participação denominada em reais, realizada como medida de preservação do capital, no montante de 4,1 milhões;
  • A provisão para a coima resultante de processo de contraordenação do Banco de Portugal 2009 e 2014 no valor de 2,5 milhões.

Assim sendo, “excluindo o efeito dos fatores anteriormente descritos e tudo o mais constante, o resultado líquido de 2018 situar-se-ia em 30 milhões de euros“, indica o Banco Montepio que apresentou esta segunda-feira as contas relativas ao exercício do ano passado.

Apesar da provisão para a coima do supervisor, Carlos Tavares, chairman do banco, adiantou aos jornalistas que vai ser apresentado um recurso da decisão no âmbito de uma contraordenação que implicou ainda multas a antigos administradores, como Tomás Correia (1,25 milhões) ou Almeida Serra (400 mil euros) — estes dois antigos gestores também vão recorrer da decisão.

Carlos Tavares explicou ainda a recente polémica relativa ao facto de ser o banco a pagar as custas judiciais de ex-gestores por proposta de Tomás Correia aprovada há um ano em assembleia geral. Será o Banco Montepio a pagar as coimas dos antigos gestores? Não, respondeu o chairman: “É esse o entendimento que os auditores tiveram baseado na interpretação linear da proposta que foi aprovada e que é concordante com a dos nossos serviços jurídicos”.

Sobre se as notícias em torno da eventual saída de Tomás Correia da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) estão a ter impacto na atividade do banco, Carlos Tavares reconhece que “muito ruído não é positivo para o banco”. Ainda assim, adiantou, “não temos notado perturbações no negócio, temos um nível de liquidez que é excessivo e normalmente quando há notícias desfavoráveis é neste capítulo que mais sentimos impacto, o que não está a ser o caso”.

Resultados duplicam

Apesar dos fatores não recorrentes terem tido impacto negativo nas contas, o banco conseguiu duplicar os lucros face a 2017. Foi um aumento de 96% face aos resultados positivos de cerca de seis milhões.

Dulce Mota, CEO interina do Banco Montepio, explicou aos jornalistas que este desempenho teve sobretudo a ver com a redução da remuneração oferecida aos depositantes e com o corte nos custos operacionais.

Em relação ao primeiro ponto, os juros e encargos similares (com depósitos e outras aplicações) caíram quase 25%. Sobre o segundo, os resultados da instituição mostram que os custos operacionais recuaram 3,2% para 259,5 milhões de euros.

Olhando para a operação do banco, destaque para a margem financeira que cedeu quase 7% para para 248 milhões de euros, “refletindo o impacto negativo associado à ausência do rendimento da carteira de títulos de dívida pública alienada em 2017 estimado em cerca de 28 milhões e o efeito positivo relacionado com o recálculo dos juros do BCE em oito milhões”. “Excluindo estes efeitos, a margem financeira ficaria praticamente estável”, diz o banco. As comissões diminuíram 1,2%

No balanço, que Carlos Tavares diz que “está hoje mais saudável”, por causa da alienação de ativos problemáticos como o Atlas, verifica-se que os depósitos de clientes atingiram 12,6 mil milhões de euros, mantendo-se face a 2017.

Já o crédito a clientes situou-se em 13 mil milhões de euros, traduzindo uma diminuição de 7% face a 2017, “determinado pelas reduções das carteiras de crédito à habitação e às empresas, bem como pelo abate da carteira de crédito em incumprimento (venda de 209 milhões de euros de NPL e write offs de 150 milhões)”. “Sem esses efeitos, a decida do crédito teria sido de 4,5%, em linha com a variação do setor na atividade doméstica”, sublinha o banco.

O Banco Montepio chegou a 31 de dezembro com rácios CET1 e Total de 13,5% e 14,1%, respetivamente.

Em termos de trabalhadores e agências, houve uma redução, como na generalidade da banca. Eram 3.700 os trabalhadores na atividade doméstica (-66) e 324 balcões. Há planos para aumentar a rede comercial, com o projeto-piloto em curso para a abertura de uma dezena de agências low-cost. A primeira vai ser inaugurada em Abraveses, Viseu, no dia 25 de março.

Carlos Tavares adiantou também que o banco continua à procura de um auditor, dado que a KPMG vai deixar de exercer esse cargo. Esta segunda-feira foi possível observar a saída de Luís Magalhães, presidente da Deloitte, das instalações do banco, enquanto os jornalistas aguardavam pelo início da conferência. Confrontado com o assunto, o chairman disse que o Banco Montepio se encontra em fase de consulta junto de mercado, tendo ouvido cinco auditoras, sendo uma delas a Deloitte, que acaba de lá ir para uma reunião para esse efeito.

(Notícia atualizada às 18h27)

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