Dívida da EDP poderá reduzir dois mil milhões de euros nos próximos três anos

A empresa liderada por António Mexia quer libertar fundos para desalavancagem. Em simultâneo, aposta nas emissões verdes e no hedging para fazer face aos custos de gestão.

A diminuição do elevado endividamento é um dos objetivos da EDP para os próximos três anos. Na atualização do plano estratégico 2019-2022, a elétrica liderada por António Mexia projetou um corte de dois mil milhões de euros e explicou que irá manter a aposta do financiamento verde e no hedging para fazer face aos custos de gestão.

A meta de Mexia é que a dívida líquida atinja os 11,5 mil milhões de euros em 2022, mantendo a tendência de queda. Esta diminuiu 3% (ou 400 milhões de euros) em 2018, face ao ano anterior, para 13,5 mil milhões de euros, “com aumento de fluxos de caixa das operações internacionais e da venda de défice tarifário em Portugal”, de acordo com as contas conhecidas esta segunda-feira.

Este objetivo implica uma quebra também do rácio da dívida face ao EBIDTA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para três vezes. Atualmente, está nas quatro vezes. A EDP espera que a redução no peso da dívida e melhorias nas métricas financeiras leve a uma subida em um nível do rating para o nível BBB, pelas principais agências de notação financeira.

O EBIDTA da empresa, em 2022, é projetado em mais de quatro mil milhões de euros, o que compara com os 3.317 milhões de euros de 2018 e implica uma taxa de crescimento anual de 5%, impulsionados por uma “melhoria nos resultados com um perfil distintivamente renovável”. Já os lucros, a EDP vê a aumentarem 7% ano para mais de mil milhões de euros, dentro de três anos.

Novas emissões verdes em vista

A estratégia da elétrica quer ser verde não só na atividade, mas também no financiamento. O plano indica pretender “explorar os mercados mais eficientes, alavancando o apetite por financiamento verde, em linha com a estratégia de sustentabilidade”. Apesar de não ter previstas mais emissões, a empresa — que estreou os mercados de green bonds e de hybrid bonds em Portugal — já tinha sinalizado interesse em voltar a apostar neste segmento.

Em janeiro, a EDP emitiu mil milhões de euros, em dívida verde híbrida com prazo de 60 anos a uma taxa de juro de 4,5%. Os títulos colocados são híbridos já que uma parte do retorno é fixa (taxa de juro) e outra depende do desempenho financeiro da empresa. Sendo uma emissão verde, o valor angariado apenas pode ser aplicado no portefólio de projetos de energias limpas da EDP.

No ano passado, tinha-se também tornado a primeira empresa em Portugal a emitir obrigações verdes (ou green bonds, em inglês), um instrumento de dívida que permite às empresas e Estados captar investimento para projetos existentes ou para projetos novos, aos quais estejam associados benefícios ambientais. Na altura, colocou 600 milhões de euros.

Além do financiamento verde, a EDP pretende “manter a política de hedge de investimento líquido por meio de financiamento na mesma moeda dos investimentos”. Apesar disso, os custos associados ao dólar norte-americano e ao real brasileiro deverão causar um novo aumento dos custos de gestão da dívida, projetados em 4% em 2022, face aos 3,8% de 2018 (menos 0,3 pontos percentuais que no ano anterior).

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