Lições de Porter para Portugal ainda são válidas hoje

Economistas e ex-ministros discutem o relatório Porter 25 anos depois de o documento ter sido apresentado. Falta de mão-de-obra qualificada e endividamento público e privado preocupam.

As lições do relatório que Michael Porter fez para a economia portuguesa há 25 anos continuam válidas, defenderam esta quarta-feira João Salgueiro, Mira Amaral e Vítor Gonçalves, três dos oradores da conferência organizada pelo Fórum para a Competitividade para assinalar a data de um dos relatórios mais mediáticos sobre a economia portuguesa.

Em 1994, o Governo de Cavaco Silva encomendou a Michael Porter um relatório sobre a competitividade da economia portuguesa. O documento entregue defendia uma aposta nos setores tradicionais.

Na abertura da conferência, João Salgueiro defendeu que “mesmo hoje [Portugal] teria muito a ganhar com o projeto Porter”, que pôs o país a pensar na competitividade. O também ex-ministro das Finanças argumentou que o relatório Porter mostra que tudo depende da concorrência e que o relatório deu uma visão de médio e longo prazo.

Também Vítor Gonçalves, economista e professor do ISEG, afirmou que as conclusões do relatório “ainda são válidas”. Apesar da integração europeia que se aprofundou e da inovação tecnológica, “continua a ser perfeitamente aceite que a riqueza continua a assentar na competitividade, esta por sua vez na produtividade e esta, por sua vez, na inovação”.

O economista do ISEG lembrou, porém, que Portugal enfrenta uma forte restrição relacionada com a elevada dívida externa e com a dívida pública. E defendeu um novo estudo sobre a competitividade à luz destas restrições ao nível do endividamento.

Luís Mira Amaral, o ministro da Indústria de Cavaco Silva que pediu o relatório a Porter, afirmou que as “lições fundamentais do relatório Porter continuam válidas” e alertou para a necessidade de serem feitas reformas estruturais na área laboral, na justiça e na Administração Pública.

Além disso, chamou a atenção para o problema de que se queixam os empresários: a falta de mão-de-obra qualificada.

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